ADSE e privados. Costa garante aos beneficiários: "Os cuidados de saúde não estão em causa"

O primeiro-ministro, António Costa, diz que é preciso "serenidade" no diferendo entre a ADSE e os grupos privados que ameaçam acabar com as convenções celebradas com o subsistema de saúde dos funcionários públicos. Mas avisa: "Iremos negociar com firmeza, que é o que nos compete"

"Uma palavra de confiança aos beneficiários da ADSE: os cuidados de saúde não estão em causa. Estarão integralmente assegurados, assim como está assegurada a continuidade da ADSE". A garantia foi dada esta quarta-feira pelo primeiro-ministro, António Costa, quando questionado sobre o anúncio de três grupos privados em suspender as convenções celebradas com a ADSE, o subsistema de saúde dos funcionários públicos.

"Iremos negociar com firmeza, que é o que nos compete fazer", afirmou, no entanto, António Costa. Realçou que é preciso "serenidade" na negociação e transmitiu "uma palavra de segurança aos beneficiários da ADSE". Reforçou a necessidade de "não deixarem de ser prestados os cuidados de saúde a que os beneficiários têm direito".

Sublinhou que "não está em causa" a continuidade da ADSE e que para isso é necessário que este subsistema de saúde "mantenha boas condições de solidez financeira e comerciais".

"Não nos podemos deixar capturar pelos interesses privados"

"O que temos neste momento é uma negociação em que uma das partes quer aumentar os seus proveitos, isso em si não tem nada de ilegitimo, a forma como se atua pode ter", resume o primeiro-ministro, que disse ser necessário "ter muita serenidade". "Nós iremos garantir todos os direitos dos beneficiários da ADSE que descontam mensalmente as suas contribuições para que terem direito a esse sistema de saúde, mas também não nos podemos deixar capturar pelos interesses privados, que gostariam, naturalmente, de ganhar mais do que aquilo que é razoável ganhar", defendeu.

Aos jornalistas, António Costa fez questão de lembrar o que está em causa. "Convém não esquecer que as autoridades judiciárias já sinalizaram e determinaram que tínhamos o dever de recuperar pagamentos que foram feitos a mais e que foram recebidos abusivamente por parte de alguns prestadores de serviço", disse o primeiro-ministro referindo-se aos 38 milhões de euros que a ADSE pede aos privados por atos médicos realizados em 2015 e 2016.

Costa referiu que o Governo vai negociar com firmeza "garantindo simultaneamente os cuidados de saúde que os beneficiários têm direito", mas também assegurando que a continuidade da ADSE nunca esteja ameaçada.

Lembrou que os grupos privados anunciaram a rescisão, a José de Mello Saúde (Hospitais e clínicas CUF) e a Luz Saúde, a partir de meados de abril "para dar um prazo para a negociação".

O grupo Lusíadas Saúde diz que está "a analisar opções" para denunciar também as convenções assinadas com a ADSE.

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