A prioridade da CGTP? "Combater a ideia das maiorias absolutas"

Milhares de trabalhadores convocados pela central sindical manifestaram-se esta quinta-feira na Avenida da Liberdade em Lisboa

Foi com uma citação do diplomata, poeta e compositor brasileiro Vinicius de Moraes que Arménio Carlos, líder da CGTP, encerrou esta tarde, nos Restauradores, em Lisboa, uma manifestação convocada pela central: "A única coisa que cai do céu é a chuva; o resto é luta!"

Luta foi pois aquilo que o dirigente sindical prometeu para os próximos tempos, e com uma prioridade assumida: "Combater a ideia das maiorias absolutas" as quais, no seu entender, no Parlamento, "sempre se converteram em poder absoluto contra os direitos dos assalariados, dos pensionistas e dos jovens".

Dizendo que a central que lidera "vai ser determinante nos próximos atos eleitorais", Arménio Carlos reconheceu que durante o governo do PS se deram melhorias na condição de vida dos trabalhadores e pensionistas, mas acrescentou logo que "elas só foram possíveis porque não houve maioria absoluta". "Nunca - mas nunca! - uma maioria absoluta foi um instrumento a favor dos trabalhadores".

Do ponto de vista estritamente laboral, uma das prioridades reafirmadas pela CGTP foi a luta pelo aumento do salário mínimo nacional em 2019 para 650 euros (está previsto que seja apenas para 600 euros). Arménio Carlos exigiu também um aumento geral salarial de 4% com aumentos nominais nunca inferiores a 40 euros.

Apesar de ter valorizado "novos avanços que a proposta do Orçamento do Estado comporta" (aumentos das pensões, abonos de família, gratuitidade dos manuais escolares, redução das propinas e alargamento dos passes sociais), Arménio Carlos insistiu na ideia de que o dinheiro "continua a ser mal distribuído".

Fê-lo por exemplo recordando que só haverá 50 milhões de euros para aumentar salários na função pública, mas ao mesmo tempo existe a "reserva de 1,6 mil milhões de euros para os fundos de resolução do setor financeiro".

No final de uma ação em que participaram milhares de trabalhadores que encheram a Avenida da Liberdade - embora com diversos espaços vazios entre os vários grupos sindicais que se associaram à iniciativa - Arménio Carlos reafirmou ainda a oposição frontal da CGTP à revisão das leis laborais, desafiando mesmo os deputados do PS a votarem contra ela no Parlamento.

O discurso final não foi isento de recados para o interior da central e dos seus sindicatos. Estes devem, segundo Arménio Carlos "sindicalizar mais assalariados, eleger mais delegados sindicais" e, em suma, "reforçar a capacidade de resposta" às lutas que esperam os trabalhadores.

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