PAN vai abrir portas dos congressos: "Não há nem nunca houve nada a esconder"

O porta-voz do PAN atribui a "alguma ingenuidade" do partido na relação com a comunicação social a decisão de realizar os trabalhos do último congresso do partido à porta fechada e garante que passarão a ser abertos. E garante que o partido não irá para o governo.

Em entrevista à Lusa no âmbito das eleições legislativas de 06 de outubro, André Silva referiu-se ao último congresso do partido, que aconteceu no final de março, e no qual os trabalhos decorreram à porta fechada e a comunicação social foi convocada apenas para o encerramento. O que valeu um coro de críticas ao partido.

Mas o porta-voz do PAN começou por lembrar que em 2017, quando o partido já tinha representação na Assembleia da República, os jornalistas foram convidados "a estar presente mas nenhum órgão de comunicação social compareceu".

"Quando convidámos para estar presente, não aparecem, quando convidamos para aparecer no final, acusam-nos de ser um partido fechado", apontou, salientou que "não há, nem nunca houve, rigorosamente nada a esconder". Por isso, "a partir de agora todos os congressos serão à porta aberta, com a presença da comunicação social", anunciou o porta-voz.

"Trata-se também de uma relação com a comunicação social que durante estes anos aprendemos a fazer", afirmou o também cabeça de lista pelo círculo de Lisboa, admitindo "alguma ingenuidade" e uma aprendizagem que ainda decorre.

"Trata-se também de uma relação com a comunicação social que durante estes anos aprendemos a fazer"

"Há toda uma aprendizagem em vários níveis, nomeadamente no relacionamento com a comunicação social", acrescentou, notando que os fundadores do partido vieram "da sociedade civil" e não tinham "experiência político-partidária".

Sobre aqueles que acusam o partido de se focar apenas nas questões ambientais e do bem-estar animal, deixando as pessoas para segundo plano, André Silva recusou as acusações e salientou que é uma "crítica injusta, infundada e algumas vezes propositadamente deturpada".

O PAN foi "muito mais além do que o campo ambiental e o campo da proteção dos animais" na última legislatura e, com apenas um deputado, o saldo do trabalho desenvolvido e da abrangência das medidas propostas "é extremamente positivo".

A candidata polémica

Em entrevista à Lusa, o porta-voz do partido Pessoas-Animais-Natureza salientou também que a eventual ligação da dirigente e cabeça de lista por Setúbal, Cristina Rodrigues, ao grupo Intervenção e Resgate (IRA) "nunca foi investigada".

No final do ano passado uma reportagem da TVI dava conta de que Cristina Rodrigues, membro da Comissão Política Nacional, estaria ligada ao IRA, mas o partido rejeitou ter "qualquer ligação ou relação com esta entidade que seja diferente de todas as outras".

"Aquilo que foi veiculado nessa altura não corresponde à verdade", reforçou o porta-voz, vincando que "não há qualquer envolvimento com nenhuma associação que opere de forma ilegal" e "não houve nenhuma investigação de nenhum órgão de polícia criminal à Cristina Rodrigues". Ainda assim, este episódio "teve consequências reputacionais para o PAN", admitiu.

"Não há qualquer envolvimento com nenhuma associação que opere de forma ilegal"

No que toca ao seu futuro à frente do PAN, André Silva considerou natural que, "tendo assumido iniciar este projeto, que o tenha que acompanhar e queira estar envolvido durante mais algum tempo"."Seria imprudente que o fizesse de outra forma", apontou, descartando um limite temporal para passar a pasta a outro.

PAN não quer ir para o governo

André Silva manifestou-se convicto de que "vai contribuir para o PS não ter maioria absoluta" nas eleições legislativas, mas recusa integrar o Governo, considerando que o partido "é ainda uma criança" e este "não é o momento". "O PAN, enquanto partido político, é ainda uma criança que está em crescimento e, por isso, cometemos alguns erros de vez em quando, e assumimos, e estamos a fazer correções", disse André Silva.

O líder do Pessoas-Animais-Natureza salientou que "este não é o momento de o PAN estar no Governo". "O futuro dirá, mas este não é o momento", reforçou, advogando que "o PAN, para influenciar as políticas governativas, não precisa de estar no Governo, não precisa de ter qualquer pasta".

"Este não é o momento de o PAN estar no Governo"

Mostrando-se convicto de que o partido vai conseguir aumentar a representação atual na Assembleia da República (André Silva é deputado único), e formar um grupo parlamentar, o porta-voz salientou que "o PAN vai contribuir para o partido socialista não ter maioria absoluta".

"Independentemente de o Partido Socialista e outros partidos terem agora na sua narrativa objetivos muito nobres relativamente a algumas matérias, as pessoas sabem, os portugueses sabem, que elas só avançam com um PAN forte, mais reforçado. Isso eu estou convencido que vai acontecer e que o Partido Socialista não terá maioria absoluta", assinalou.

Dúvidas sobre agenda verde do governo

O porta-voz do PAN, André Silva, expressa "sérias dúvidas" quanto ao comprometimento do PS com a descarbonização da economia e critica a posição do primeiro-ministro sobre a Amazónia, considerando "desolador" que tenha agido ao arrepio dos principais líderes europeus.

O deputado único do PAN (Pessoas-Animais-Natureza) pede uma "posição firme relativamente a Bolsonaro", considerando o Presidente do Brasil "uma pessoa absolutamente inconsciente e impreparada para estar no lugar onde está" e considerou "extremamente positivos" os sinais dados pela "maior parte dos líder europeus" a propósito da crise ambiental na Amazónia.

André Silva aponta, em contraste, o "sinal extremamente negativo" do primeiro-ministro e secretário-geral do PS sobre esta matéria: "Um sinal eu diria até, um pouco desolador, por parte de António Costa, que vem, uma vez mais privilegiar a extração de recursos, o crescimento económico em detrimento daquilo que é um ecossistema absolutamente importantíssimo e fundamental".

Para o porta-voz do PAN, no momento em que "os principais líderes eleitos democraticamente na Europa" assumem "uma posição mais assertiva relativamente ao Brasil", o primeiro ministro português assume "o discurso de sempre de que, atenção, é preciso privilegiar e ter atenção à economia, e às relações económicas e não ter uma política de isolamento relativamente ao Brasil".

"Isto é a continuação da mesma conversa, da mesma narrativa, de colocar os interesses económicos acima dos interesses ambientais de uma região que não é do Brasil, é uma região que é do planeta", sublinha.

António Costa defendeu na semana passada que o Brasil precisa de solidariedade e não se sanções, argumentando que não deve ser confundido o drama que se vive na Amazónia com o acordo com o Mercosul, que considerou "muito importante para a economia portuguesa e não deve ser utilizado pelos países que sempre se opuseram à sua assinatura", como a França.

As dúvidas do PAN face o comprometimento dos socialistas com o ambiente são mais vastas: "Querem aumentar o tráfego aéreo no nosso país, com a construção de um novo aeroporto para reforçar a Portela, num sítio de reserva natural, onde passam cerca de três milhões de aves por ano. Não há uma única palavra sobre agricultura biológica no programa do Partido Socialista, com a continuidade das políticas agrícolas de expansionistas relativamente à agricultura intensiva. Estamos a transformar e a destruir o nosso o Alentejo, num olival intensivo. Não há regras para estufas na Costa Vicentina. O Partido Socialista quer explorar hidrocarbonetos ao largo da nossa costa, quer fazer mineração profunda nos oceanos. Falando de turismo, quer aumentar o número de navios de cruzeiro nos portos de Lisboa, e nos principais portos, quando os navios de cruzeiros que passam ao largo da costa portuguesa emitem oitenta e seis vezes mais emissões de gases de efeito estufa do que todos os transportes do nosso país".

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