Diretor de jornal para Letizia: "sou o chefe da 'mierda' do LOC"

Mensagem da rainha a enxovalhar suplemento do El Mundo chegou à imprensa. Diretor-adjunto escreveu-lhe: "sou o chefe da 'merda' do LOC e espero que continue a ler-nos"

Em outubro de 2014, Letizia e Felipe terão enviado mensagens de apoio a Javier Lopez Madrid, investigado atualmente por financiar ilegamente o PP. Essa troca de missivas eletrónicas foi publicada na passada terça-feira pelo jornal espanhol El Diario. Agora, o ministro da justiça em funções, Rafael Catalá, anuncia uma investigação a esta fuga de informação, uma vez que as mensagens fazem parte de um processo judicial ainda em segredo de justiça.

"Sempre que há uma fuga de informação que está submetida a segredo é aberta uma investigação. No entanto, as investigações da revelação do segredo de justiça são muito complexas mas não deixam de ser feitas. Como sabem, a quebra do segredo de justiça é um crime e, por isso, como qualquer crime, quando acontece deve ser investigado", afirmou Catalá quando confrontado pelos jornalistas com a divulgação da troca de mensagens.

Mas falemos sobre as mensagens em si. Em outubro de 2014, a rainha Letizia, enviava um sms a Javier Lopez Madrid a demonstrar o seu apoio na sequência da publicação, no suplemento LOC do El Mundo, de uma história relacionada com o uso indevido de cartões de crédito do banco Bankia para gastos pessoais.

"Escrevi-te quando saiu um artigo sobre aquilo dos cartões na merda do LOC e já sabes o que acho, Javier. Sabemos quem é, tu sabes quem somos. Conhecemo-nos, apreciamo-nos, respeitamo-nos. O resto, merde. Um beijo, compi yogui", foi uma das mensagens escritas por Letizia para o empresário. Nas seguintes, pode ler-se o rei de Espanha a propor um almoço a Javier "para falarem sem intermediação eletrónica ou telefónica". López Madrid, que se encontrava então em São Francisco, adia o encontro.

A revelação do teor desta mensagem, em particular, motivou mesmo uma resposta do diretor-adjunto do El Mundo, Iñaki Gil, que não gostou de ver enxovalhado o suplemento do jornal que dirige. Admitindo que o sms enviado por Letizia era particular e acabou por ser difundido publicamente devido à fuga de informação, Gil escreveu uma carta aberta à rainha, intitulada "Sou o chefe da 'merda do Loc' e espero, majestade, que continue a ler-nos". Na missiva, divulgada na quarta-feira, refere que uma rainha não deve deixar de comportar-se como tal "nem por um segundo", nem permitir-se confidências que possam prejudicar a reputação de uma instituição. Garantindo que o menos importante é um pedido de desculpas pelo tratamento dado ao suplemento do El Mundo, realça que ficou satisfeito por saber que o LOC é lido pela rainha e pede-lhe que deixe os jornalistas fazerem livremente o seu trabalho. "Errar é humano, retificar é de sábios", frisa o diretor.

Nas redes sociais, a intrigante expressão "compi yogui" (que o diário digital El Español já explicou ser uma referência ao facto de Letizia e da mulher de López Madrid, Silvia, paticarem ioga juntas) usada pela rainha foi alvo de centenas de memes, posts, tweet, e brincadeiras mais ou menos sarcásticas. O ponto em comum? A referência ao desenho animado Zé Colmeia, cujo nome em inglês é Yogi the Bear.

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