Ventura e as ameaças racistas: "Quando são estes coitadinhos, toda a gente chora"

O líder do Chega reagiu às ameaças feitas a deputados e ativistas por elementos de um grupo nacionalista. Diz que também é ameaçado mas que, "quando são estes coitadinhos, toda a gente chora e grita".

André Ventura desvaloriza as ameaças de morte a deputados e ativistas. Foi através de e-mail que dez pessoas foram ameaçadas por elementos de um grupo nacionalista, a Nova Ordem de Avis - Resistência Nacional, que davam 48 horas aos visados para deixarem o país. O líder do Chega apelida de "coitadinhos" os deputados e ativistas e concluiu que o alarme gerado é espelho de um "miserável país".

"Quando o André Ventura e o Chega são ameaçados (o que acontece a toda a hora) ninguém fica alarmado. Quando são estes coitadinhos, toda a gente chora e grita. Miserável país!", escreveu o deputado do partido de extrema-direita no Twitter.

As ameaças do grupo neonazi foram conhecidas depois da realização de uma parada ao estilo Ku Klux Klan, em que um grupo de militantes de extrema-direita se posicionou junto à sede do SOS Racismo, com a cara tapada com máscaras brancas e exibindo archotes.

Agora, neste e-mail, os deputados e ativistas foram instados a deixar o país. "Informamos que foi atribuído um prazo de 48 horas para os dirigentes antifascistas e antirracistas incluídos nesta lista rescindirem das suas funções políticas e deixarem o território português", escreveram os neonazis.

A Polícia Judiciária, através da Unidade Nacional de Contraterrorismo, está a investigar.

No grupo de dez pessoas ameaçadas constam as deputadas do BE Beatriz Gomes e Mariana Mortágua, a deputada não inscrita Joacine Katar Moreira, o dirigente do SOS Racismo, Mamadou Ba, e o ativista Jonathan Costa, da Frente Unitária Antifascista.

Os outros nomes são de figuras ligadas também a movimentos antirracistas, antifascistas (Antifa), sindicalistas e LGBT: Danilo Moreira, coordenador da Frente Unitária Antifascista (FUA) do sul e dirigente sindical dos trabalhadores de call centers; Rita Osório, ativista LGBT, coordenadora também da FUA sul e membro da Plataforma Antifascista de Lisboa e Vale do Tejo (PALVT); Vasco Santos, coordenador da FUA, candidato do MAS (Movimento Alternativa Socialista) e dirigente do sindicato da função pública do norte; Luís Lisboa, músico e professor, membro do Núcleo Antifascista de Guimarães; e Melissa Rodrigues, membro do Núcleo Antirracista do Porto.

Sobre o incidente junto à sede do SOS Racismo, André Ventura disse ao Expresso que nem queria saber quem foram os participantes. "Tudo o que sejam simbologias ou coreografias que remetem para movimentos de carácter rácico e de supremacia branca, afastamo-nos e negamos. Nem quero saber quem são os participantes", afirmou.

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