Uma semana decisiva para mais uns passos de "liberdade"

Quando o primeiro-ministro António Costa anunciou o calendário de desconfinamento, fez questão de dizer que não teria qualquer pejo em voltar atrás, se a evolução do número de novos casos de covid-19 assim o aconselhasse. A partir da próxima quarta-feira, a primeira fase de desconfinamento, iniciada a 4 de maio, já se refletirá nestes números, de acordo com os especialistas. O que pode acontecer?

Apesar de ser um dos continentes mais afetado pela pandemia, a Europa começou no início de maio a pôr em marcha uma estratégia gradual de reabertura.

De acordo com os especialistas, a partir da próxima quarta-feira o número de novos casos em Portugal permitirá perceber qual o efeito da primeira fase de desconfinamento na evolução epidemiológica da covid-19, no aumento (ou não) dos contágios e no risco (maior ou menor) de uma segunda onda.

Noutros países, como a China, a Coreia do Sul ou a Alemanha, que também já deram início a planos de desconfinamento, novos focos de infeção surgiram e estão a causar preocupação quanto à possibilidade de uma nova vaga da pandemia.

Na Alemanha, cada estado federal determinou as regras de regresso à normalidade possível, mas em todo o país já foram reabertas as lojas, procedeu-se a um regresso gradual às aulas, foram permitidas as visitas a familiares residentes em lares de idosos livres de covid e os jogos de futebol da primeira liga (à porta fechada) têm início no próximo fim de semana.

O Instituto Robert Koch, equivalente alemão ao nosso Instituto Ricardo Jorge, lançou ontem um alerta, avisando que o RT (risco de transmissibilidade, indicador que mede o número de pessoas que cada pessoa infetada contagia em média) subiu para 1,1 e que isso é um mau sinal porque quando o RT está acima de 1 significa que é mais difícil controlar novos surtos da doença e conter a infeção.

Em Portugal, a 5 de maio, de acordo com a Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, o RT era de 0,6. Indicador que a 26 de abril se situava já abaixo de 1 e teve peso na elaboração do Plano de Desconfinamento apresentado pelo primeiro-ministro a 30 de abril.

Na sequência desse plano, a 4 de maio foram reabertas as lojas com porta para a rua até 200 m2, o comércio automóvel, as livrarias, os cabeleireiros, barbeiros, manicures, pedicures e similares, as bibliotecas e arquivos, os jardins zoológicos, oceanários, fluviários e afins e a foi permitida a prática de desportos individuais ao ar livre (sem utilização de balneários nem piscinas) e de pesca lúdica.

O uso de máscara tornou-se obrigatório nos transportes públicos, escolas (exceto crianças em jardins de infância e creches), comércio e outros locais fechados e apesar de continuar a apelar-se a um dever cívico de recolhimento domiciliário, só as pessoas doentes e em vigilância ativa estão obrigadas ao confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância ativa.

Muitos voltaram à rua e ao trabalho e, na próxima semana, é provável que voltem mais e também é previsível que as empresas de transportes públicos comecem a regressar gradualmente aos horários normais. A TST (Transportes Sul do Tejo) emitiu um comunicado anunciando que a partir de amanhã, 11 de maio, reforçará os serviços nos dias úteis.

Quarta-feira, dia em que os números de novos casos já dirão alguma coisa sobre as consequências da primeira fase de desconfinamento, é o dia em que o governo realiza a reunião técnica com os especialistas para fazer a avaliação da primeira fase e preparar a segunda. Na próxima semana conhecer-se-ão também as regras de utilização das praias este verão e finalmente serão disponibilizadas as regras e normas parareabertura das creches, que, a manter-se o calendário (e a curva), acontecerá na segunda-feira seguinte, 18 de maio.

O que abre a 18 de maio?

» Lojas com porta aberta para a rua até 400 m2 ou partes de lojas até 400 m2 (ou maiores, por decisão da autarquia)

» Restaurantes, cafés e pastelarias (lotação a 50%, funcionamento até às 23h)

» Esplanadas

» Ensino secundário: 11.º/12.º anos ou 2.º e 3.º anos de outras ofertas formativas (10h-17h)

» Creches (com opção de apoio à família)

» Equipamentos sociais na área da deficiência

» Equipamentos culturais (museus, monumentos e palácios, galerias de arte, salas de exposições e similares)

O que continua fechado / proibido

» O exercício profissional continua em regime de teletrabalho, sempre que as funções o permitam

» Lojas de cidadão

» Lojas com área superior a 400 m2 (salvo decisão da autarquia) ou inseridas em centros comerciais

» Discotecas e bares

» Termas, piscinas (cobertas e ao ar livre), ginásios, spas, massagens

» Ensino básico e 10.º ano de escolaridade

» Jardins de infância

» ATLs

» Cinemas, teatros, salas de espetáculos, auditórios

» Centros de congressos e salas de conferências

» Casinos e bingos

» Praças de touros

» Recintos e provas desportivas

» Eventos/ajuntamentos com mais de 10 pessoas, exceto funerais, com a participação de familiares

O que abre a 1 de junho

» Teletrabalho parcial, com horários desfasados ou equipas em espelho

» Lojas de cidadão

» Lojas com área superior a 400 m2 ou inseridas em centros comerciais

» Creches

» Pré-escolar

» ATLs

» Cinemas, teatros, salas de espetáculos, auditórios (com lugares marcados, lotação reduzida e distanciamento físico)

» Futebol: a partir de 30-31 de maio retomam as competições oficiais da Primeira Liga e a Taça de Portugal

O que continua fechado / proibido

» Discotecas e bares

» Termas, piscinas (cobertas e ao ar livre), ginásios, spas, massagens

» Ensino básico + 10.º ano de escolaridade

» Centros de congressos e salas de conferências

» Casinos e bingos

» Praças de touros

» Provas desportivas em recintos fechados e/ou com público

» Eventos / ajuntamentos com mais de 10 pessoas, exceto funerais, com a participação de familiares e cerimónias religiosas a partir de 30/31 de maio, seguindo orientações da Direção-Geral de Saúde.

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