Stress, falta de sono. Mais de 70% dos profissionais de saúde estão exaustos

Dizem-se sujeitos a níveis médios ou elevados de burnout, de acordo com um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública. Onde também admitem que a disponibilidade de equipamentos de proteção individual está a melhorar.

De dia, elevados níveis de stress. À noite, poucas horas de sono e por vezes mal dormidas. Os profissionais de saúde estão cansados. 72,2% falam mesmo em níveis médios a elevados de exaustão ou burnout (esgotamento emocional), indicam os resultados do terceiro inquérito de Saúde Ocupacional do Barómetro Covid-19 da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) na Universidade Nova de Lisboa, divulgados esta sexta-feira.

O número de médicos, enfermeiros, assistentes operacionais, técnicos de diagnóstico que admitem situações extremas de cansaço representa um aumento de cerca de 10% em relação ao último barómetro (publicado há uma semana). Desta vez, mais de 70% assumem estar exaustos, sendo que destes, 58% aproximam-se de "uma situação de esgotamento'".

Quase metade (42,6%) dos profissionais referem também que dormem menos de seis horas diárias. E que não tiveram tempo nenhum para praticar exercício físico (48,8% dos inquiridos). "Tal pode, eventualmente, ser mais um co-fator de queixas de dores musculoesqueléticas, para além das exigências do trabalho e das elevadas jornadas com, por exemplo, a reconhecida sobrecarga de trabalho causada pelos EPI [Equipamento de Proteção Individual] que usam", aponta o coordenador científico do estudo, António Sousa Uva, que lembra que "não é possível um bom combate à covid-19 sem bons, saudáveis e seguros combatentes".

A investigação, realizado pela ENSP, decorreu entre 30 de abril e 8 de maio, contou com a participação de 5 365 profissionais de saúde e com 532 respostas, recolhidas online. Mais de um terço dos participantes estão a trabalhar diretamente em alas dedicadas ao tratamento da covid. Cerca de 13% foram considerados suspeitos de ter a doença e 15,3% acusaram mesmo positivo no teste de despiste.

"Estes são resultados reveladores da morbilidade aumentada nestes grupos profissionais em relação à população geral, mesmo com o recurso a Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e, igualmente, a insuficiente rapidez no esclarecimento das situações suspeitas", aponta António Sousa Uva.

No entanto, os últimos dados recolhidos referem que, para mais de metade dos inquiridos, a disponibilidade de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) tem vindo a melhorar e "na opinião da grande maioria dos respondentes (77,8%) os EPI são adequados ou muito adequados".

Um terço não mede a temperatura diariamente

O estudo reforça ainda uma conclusão já apresentada na primeira etapa do inquérito: um terço (33,3%) dos 5 365 profissionais de saúde não realiza a automonitorização diária. Ou seja, não verifica, por exemplo, a sua temperatura corporal duas a três vezes ao dia, o que "deveria ser a regra na perspetiva quer da proteção da saúde do profissional de saúde, quer da redução da probabilidade do risco de contágio".

Os investigadores consideram ainda "urgente uma reflexão profunda" sobre o apoio psicológico dado a médicos, enfermeiros, assistentes operacionais, técnicos de diagnóstico. Uma vez que 36% dos inquiridos apontou a inexistência de um Serviço de Saúde Ocupacional no seu local de trabalho.

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