Sismo, tsunami, acidente químico, cheias. O caos chega a Portugal

Três mil pessoas, incluindo cinco equipas internacionais, e quatro distritos vão participar no Cascade 2019. Entre os dias 29 e 31 vão ser testadas as capacidades das forças de Proteção Civil portuguesas.

Um sismo, um acidente químico, uma barragem que entra em rutura, uma colisão no porto de Aveiro que leva ao derrame na água de fuelóleo, um tsunami e vários episódios de cheias com casas e outras infraestruturas muito afetadas e em estado crítico.

A este "caos" junte-se sirenes, carros de bombeiros, polícias, barcos com incêndios a bordo, pessoas a usar equipamentos para resgate em situações nas áreas nuclear, radiológico, biológico e químico.

Será assim o cenário com que os habitantes de 22 municípios de quatro distritos vão ser confrontados entre as 14.00 de quarta-feira e as 14.00 de sexta-feira, num aparato que não será igual em todo o lado nem durará as 48 horas do maior exercício de Proteção Civil já realizado em Portugal: o Cascade 2019, que terá lugar também em outros países europeus.

Em Portugal, cerca de três mil pessoas, entre operacionais e figurantes, vão participar neste simulacro que pretende testar as respostas das várias autoridades nacionais que integram a Proteção Civil. Estarão também presentes equipas da Madeira e dos Açores. E o desenrolar do exercício vai poder ser seguido na conta da rede social Twitter da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, que também replica para o Facebook.

Os exercícios vão acontecer nos distritos de Aveiro (Águeda, Albergaria-a-Velha, Aveiro, Ílhavo e Sever do Vouga); Lisboa (Alenquer, Amadora, Cascais, onde vai ser testado o efeito de um tsunami que obrigará no dia 31 a retirar as pessoas das praias da Conceição e da Duquesa, Lisboa, Odivelas e Sintra); Setúbal (Almada, Barreiro, Seixal, Sesimbra e Setúbal) e Évora (Arraiolos, Vendas Novas, Évora, Montemor-o-Novo, Viana do Alentejo e Reguengos de Monsaraz).

Além dos bombeiros, GNR, PSP, PJ, SEF, INEM, Direção-Geral da Autoridade Marítima, IPMA e diversas outras entidades, vão participar nestes simulacros equipas de Espanha (especialistas em resgate na área nuclear, radiológico, biológico e químico - NRBQ - e um navio especializado no combate à poluição do mar); França (módulo de resposta NRBQ), Alemanha (módulo de purificação de água e deteção de NRBQ), Croácia (especialistas em busca e salvamento em ambiente urbano) e elementos da Agência Europeia de Segurança Marítima (EMSA) que terá um navio especializado em combate à poluição no mar.

"Vamos ter 64 cenários ativos, não ao mesmo tempo, e com durações diferentes", adianta ao DN Patrícia Gaspar, 2.ª comandante operacional nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.

Neste simulacro a intervenção das várias autoridades de socorro vai ser necessária a partir de dois casos extremos: um episódio de condições meteorológicas adversas que atinge sobretudo o distrito de Aveiro e que provoca consequências graves ao nível do edificado, infraestruturas públicas e industriais e uma rutura numa barragem.

A segunda situação será um sismo que atinge os distritos de Lisboa, Setúbal e Évora. Tanto em Aveiro como em Setúbal serão ainda testadas as respostas ao derrame para a água de uma substância perigosa devido a um acidente industrial (no porto de Setúbal) e uma colisão num cais do porto de Aveiro que fará que um navio-tanque derrame fuelóleo para o mar.

Os cenários destes exercícios estão escalonados em três níveis, como explica Patrícia Gaspar: "O nível 1 é ao nível local, vamos testar situações de emergência local, como por exemplo evacuações de escolas; o segundo nível é distrital, onde será necessário pedir o apoio de estruturas do distrito; terceiro nível é nacional e é ai que vão ser colocadas as equipas internacionais. Todos os níveis são importantes pois há uma interação."

Em Lisboa, por exemplo, "vão existir situações de retirada de pessoas de escolas e outros pequenos incidentes em várias zonas da cidade", salientou a responsável da ANEPC.

Para a realização destes exercícios, a ANEPC e os serviços de proteção civil municipais envolvidos organizaram equipas de voluntários que vão fazer de figurantes nos cenários. "Vamos contar com funcionários das autarquias, crianças, escuteiros, elementos das associações que se disponibilizaram para participar", conta Patrícia Gaspar.

Sem impacte no socorro real

A participação de centenas de elementos envolvidos na proteção civil neste exercício não vai ter impacte na resposta a situações reais de socorro numa semana em que se esperam temperaturas elevadas, garante a 2.ª comandante operacional da ANEPC. "O dispositivo de combate a incêndios não se encontra incluído e em caso de ocorrência real se for necessário os meios serão disponibilizados", garante.

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