Sindicato usa fotos de idosos agredidos no estrangeiro para atacar ministro

Sindicato Vertical de Carreiras da Polícia respondeu a ministro Eduardo Cabrita pedindo indignação pelas vítimas, no Facebook, com imagens de idosos estrangeiros que não foram agredidos em Portugal.

O Sindicato Vertical de Carreiras da Polícia partilhou este sábado uma publicação no Facebook onde o Ministro da Administração Interna surge numa montagem junto às caras de três idosos espancados, sugerindo que essas serão as vítimas dos três fugitivos do Porto. Depois de Eduardo Cabrita ter considerado "absolutamente inaceitável" a divulgação de fotografias dos fugitivos do Tribunal de Instrução Criminal do Porto capturados pela PSP, o sindicato publicou o seguinte comentário: "Por favor, Sr. Ministro do MAI, Sr.s da Amnistia Internacional, Sr.ª Cancio e todos os demais....indignem-se". Os comentários, tal como a partilha do post nas redes sociais, dispararam, com muitas reações de indignação que associam os três detidos aos idosos que aparecem desfigurados nas fotos. A questão é que as imagens que o sindicato usa são de facto de pessoas que foram vítimas de crimes, mas nenhuma delas em Portugal. Algumas delas têm já vários anos.

Em primeiro plano aparece a fotografia de Catherine Smith, que foi estrangulada e espancada com uma trela quando passeava o seu cão em Tulse Hill, no sul de Londres, em 27 de julho do ano passado; o segundo caso diz respeito a John Charles Junyent, dono do restaurante La Botticella, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, que em 2015 foi espancado por um funcionário; a terceira imagem é de um idoso que há cinco anos foi espancado por criminosos que invadiram a sua casa, na cidade de Tremedal, no interior da Bahia, também no Brasil; há ainda uma quarta fotografia a circular nas redes sociais associada ao mesmo tema, neste caso de Barbara Dransfield, que em 2016 foi atacada dentro da sua casa, em Manchester.

Ministro considera "absolutamente inaceitável"

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, considerou "absolutamente inaceitável" a divulgação de fotografias de suspeitos capturados pela PSP. "Só há um inquérito, que é aquele que eu determinei à Inspeção-Geral da Administração Interna, que realizasse por um lado às circunstâncias daquilo que terá sido uma falha de segurança -felizmente corrigida com a detenção em 24 horas dos indivíduos -, mas também àquilo que é absolutamente inaceitável, que é a publicação de imagens que não correspondem à forma de atuação da polícia portuguesa".

O ministro sublinhou que a "policia portuguesa é uma polícia do Estado de Direito e das liberdades", pelo que "as imagens como as que ontem circularam não são admissíveis". A PSP anunciou que vai instaurar um processo de inquérito sobre a divulgação de fotografias da detenção dos três homens.

Já Fernanda Câncio, jornalista do DN, é visada pelo sindicato por também ter criticado que o sindicato tivesse partilhado as fotos de idosos esmurrados depois de ter partilhado as imagens de suspeitos algemados e esmurrados, lembrando a posição Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas, de 2016, sobre a divulgação de imagens de detidos à guarda da PSP por parte de órgãos de comunicação social.

O Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas considerou este sábado "inaceitável" a divulgação, por parte de órgãos de comunicação social, de fotografias do momento da detenção de arguidos que tinham fugido das instalações do Tribunal de Instrução Criminal do Porto.

Aquele órgão entende que "é deontologicamente inaceitável a utilização das imagens em causa, subscrevendo a posição da Amnistia Internacional de que se trata de um 'espetáculo indigno'", de acordo com um comunicado divulgado hoje no site do Sindicato dos Jornalistas (SJ). "As fotos humilham, desnecessariamente, as pessoas em causa, que são suspeitos de terem cometido crimes, não perdendo por essa razão os direitos e as garantias conferidas pela lei", defende o Conselho Deontológico do SJ. A Amnistia internacional também lamentou o "espetáculo indigno" de fotos de detenção de suspeitos.

Sindicato volta a partilhar fotos

Ainda antes da publicação da montagem com o ministro da Administração Interna, o Sindicato Vertical de Carreiras da Polícia já tinha saído em defesa dos colegas, alegando que existe uma "campanha concertada que visa unicamente denegrir a imagem da instituição PSP e a dos seus profissionais" e voltou a partilhar as imagens.

O sindicato fefere que "a fuga e detenção de 3 criminosos detidos após meses de trabalho incansável de polícias da Divisão de Investigação Criminal do Porto" foi "um excelente trabalho de investigação" mas que se terá esfumado "com a fuga dos criminosos do TIC do Porto". E continua: "De imediato, todos que alimentam a "campanha" contra a PSP e os seus profissionais, perfilaram-se, como lobos famintos numa alcateia para se banquetearem com os despojos".

O mesmo texto refere que se partiu "da certeza que aquelas fotos (da detenção) foram tiradas/recolhidas e partilhadas por polícias e nem tiveram a menor dúvida ou sequer questionaram se foi um popular, pois a detenção foi efetuada num local público", diz ainda o texto, acusando que "são aqueles que aplaudem e incentivam a recolha das fotos e vídeos das atuações policiais e dos polícias sem sequer perceberem que muitas das vezes colocam a vida dos mesmos em perigo".

A acompanhar o texto, o SVCP volta a partilhar as imagens alvo de crítica, "mesmo que não gostem e podem ficar indignados faz favor. Unidos somos muito mais fortes", escreve o sindicato.

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