SEF reforça meios no aeroporto de Faro e alerta para a possibilidade de se repetirem aglomerações

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras concretizou um reforço de 12 inspetores para o aeroporto de Faro, depois de, na quarta-feira, a chegada simultânea de oito voos, com mais de 800 pessoas, ter levado os passageiros a concentrar-se na zona do controlo documental. Estão previstos outros 10 inspetores a partir de 1 de setembro

As aglomerações de passageiros nas chegadas do aeroporto de Faro podem repetir-se se o controlo documental continuar na "zona de inverno", com cinco pontos de atendimento, advertiu esta sexta-feira o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, que reforçou os meios no local.

Fonte do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) disse à Lusa que este organismo já concretizou um reforço de 12 inspetores para o aeroporto de Faro depois de, na quarta-feira, a chegada simultânea de oito voos, com mais de 800 pessoas, ter levado os passageiros a concentrar-se na zona do controlo documental, que este ano não passou a ser feita na "zona de verão", como é habitual.

A mesma fonte advertiu que o reforço de meios - a que se somará um novo aumento com outros 10 inspetores a partir de 1 de setembro - "não vai servir de nada" se a ANA, a empresa que faz a gestão dos aeroportos portugueses, "não fizer a passagem das chegadas da 'zona de inverno' para a 'zona de verão', onde existem 10 postos de atendimento, em vez de cinco.

A indicação que o SEF tinha "até hoje de manhã da ANA é a de que não tenciona passar o atendimento da 'zona de inverno' para a 'zona de verão'", acrescentou a mesma fonte.

"Atualmente, o controlo documental de passageiros no Aeroporto de Faro está a funcionar, por determinação da ANA Aeroportos, na chamada 'zona de inverno', que não se encontra adequada a receber o exponencial crescimento do número de passageiros (+190%), após a abertura do corredor aéreo com o Reino Unido", reconheceu o SEF num comunicado.

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras lembrou que a "zona de inverno" contempla "apenas cinco posições de controlo documental de passageiros na área de chegadas, não tendo a ANA Aeroportos ainda aberto a 'zona de verão'", com "10 posições de controlo que permitiriam garantir maior celeridade no controlo de fronteira".

Mais 10 inspetores do SEF no aeroporto de Faro a partir de 1 de setembro

"Ainda assim, com o reforço de efetivo do SEF, operado esta semana, o Serviço assegurou já mais 12 inspetores afetos ao Aeroporto de Faro. E, a partir de 1 de setembro, haverá novo reforço de mais 10 inspetores", acrescenta a nota.

O SEF explicou que as fotografias que circulam nas redes sociais e que mostram uma acumulação de passageiros sem qualquer distanciamento social, na zona de chegadas de Faro, representam "uma situação pontual e circunscrita, registada em apenas uma hora, no dia 26 de agosto", porque "nesse período de tempo aterraram naquela estrutura aeroportuária oito voos, o que correspondeu a mais de 800 passageiros controlados na fronteira".

"No sentido de assegurar a articulação de estratégias e implementação de melhores soluções, sem nunca descurar a segurança no controlo documental exigida ao nível nacional e europeu, vão ainda entrar em funcionamento, já a partir da próxima segunda feira, 16 'e-gates' de nova geração, que irão possibilitar um controlo de fronteira automatizado e em menos de 20 segundos (oito localizadas na zona das partidas e oito nas chegadas)", anunciou ainda o SEF.

ANA Aeroportos rejeita responsabilidades nas acumulações de passageiros

A ANA - Aeroportos de Portugal rejeitou responsabilidades nas acumulações de passageiros verificadas nas chegadas do Aeroporto de Faro e considerou que na origem do problema esteve a falta de recursos do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

Sobre o aviso do SEF de que as acumulações de passageiros nas chegadas do Aeroporto de Faro poderiam manter-se se o controlo documental continuasse na "zona de inverno", a ANA- Aeroportos refere que "a situação referida ocorreu na zona de controlo de fronteira das chegadas, sendo esta área a mesma utilizada no período de verão como de inverno, contrariamente ao que foi afirmado" pelo SEF, reagiu numa resposta escrita enviada à agência Lusa.

A ANA refutou a posição do SEF, argumentando que "dos cinco postos de controlo disponíveis, apenas dois se encontravam em funcionamento" e "os equipamentos de controlo eletrónico não estavam a operar", quando na quarta-feira se deu a principal acumulação de passageiros no aeroporto algarvio pela chegada simultânea de vários voos.

"A ANA lamenta que essa falta de recursos por parte do SEF cause impacto negativo nos passageiros que chegam ao Aeroporto de Faro", acrescentou a empresa que gere os aeroportos portugueses.

A mesma fronte sublinhou que está "em contacto regular com as entidades" e "fornece antecipadamente as informações sobre o tráfego previsto para que estas possam planear e adequar a sua operação, pelo que irá esclarecer junto do SEF quais as razões para este tipo de ocorrência".

"Refira-se também que, apesar das várias solicitações da ANA, ainda não foi possível assinar, com o SEF, um acordo de níveis de serviço (um direito contratual da ANA) com tempos de espera máximos para garantir o cumprimento das boas práticas internacionais conforme recomendado pela IATA [International Air Transport Association, sigla em inglês para a Associação Internacional do Transporte Aéreo]", referiu ainda a empresa aeroportuária.

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