Exclusivo São Martinho do Porto: o verão que o outono deixou ficar

Se há um verão de São Martinho, é ali, naquela baía, ainda hoje conhecida como "o bidé das marquesas". Não há certezas quanto à toponímia, mas uma lenda associa o nome da vila a um ermita devoto do santo, que por ali passou em 1150.

Vista do alto, a baía de São Martinho do Porto faz lembrar um postal da Riviera francesa. A praia que tem pergaminhos desde há um século já não é o bidé das marquesas - como ficou conhecida nos meios de veraneio - mas guarda muita da traça desses tempos. Era porto de abrigo para a nobreza e alta burguesia de Lisboa, desde que no final do século XIX os mais endinheirados foram ganhando o hábito de desfrutar do "ar da praia", como conta Ramalho Ortigão no livro "As Praias de Portugal - guia do banhista e do viajante".

São Martinho vive, ainda hoje, os resquícios desse tempo: uma boa parte dos proprietários são famílias da classe média-alta de Lisboa, que se resguardam na pacatez da vila do bulício da cidade. A partir da marginal, percebe-se bem a razão de não abdicarem desse tesouro: o mar calmo, ideal para as crianças, meia dúzia de barcos a enfeitar a baía, barraquinhas alinhadas. É assim no verão, quando a vila vive apinhada. Chegado o outono, a terra volta a ser apenas dos menos de três mil habitantes que povoam aquela freguesia do concelho de Alcobaça.

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