Santo António. Casamentos gay são possíveis, só não houve candidatos

Desde 2010 que a lei permite a realização de uniões homossexuais, mas nos Casamentos de Santo António tal nunca aconteceu apenas por falta de inscrições para a união civil, garante a câmara.

As uniões de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgêneros (LGBT) são permitidas nos Casamentos de Santo António, em Lisboa, mas até à edição deste ano nunca foram apresentadas candidaturas durante o período de inscrição para a cerimónia civil que, tal como a religiosa, decorreu esta quarta-feira.

Esta questão foi levantada pelo jornal Público que noticiou não serem permitidos casamentos de gays nesta iniciativa icónica das festas de Lisboa e que são sempre realizados na véspera do Dia de Santo António, um padroeiro popular da cidade, tal como sucedeu hoje com a celebração de 11 cerimónias religiosas e cinco civis.

Contactada pelo DN a autarquia garante que não existe nenhuma discriminação no regulamento que fica disponível em conjunto com a ficha de inscrição, que este ano decorreu entre 4 de janeiro e 11 de março. No documento, onde se pede o nome da noiva e do noivo, são elencadas as regras de participação que passam pela obrigação de pelo um dos noivos residir em Lisboa, estarem em situação legal para casar, aceitarem dar entrevistas, serem filmados e participarem numa entrevista prévia à escolha dos participantes nos casamentos.

Em lado nenhum do regulamento é feita referência à impossibilidade de casais LGBT participarem nesta iniciativa o que, aliás, sendo que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é permitido por lei desde 2010 e as uniões apenas no registo civil são possíveis nos Casamentos de Santo António desde 1997. O Público recorda que em 2001 foi realizado um casamento muçulmano na Mesquita Central de Lisboa.

Em 2018, segundo a PORDATA, num total de 34637 casamentos em Portugal 637 foram entre pessoas do mesmo sexo.

A tradição que começou em 1958, durou até 1974 e voltou 30 anos depois, quando a Câmara Municipal de Lisboa decidiu retomar esta iniciativa.

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