Portugal com mais 306 casos. Governo prepara plano de "grande profundidade " para o inverno

O boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) indica que, nas últimas 24 horas, foram reportadas mais duas mortes por covid-19

Em Portugal, registam-se 1662 mortes e 46 818 infetados pelo novo coronavírus desde o início da pandemia. Segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), divulgado esta segunda-feira (13 de julho), foram reportados 306 novos casos de covid-19 (um aumento de 0,66% face ao dia anterior) e duas mortes nas últimas 24 horas.

A DGS indica que há 467 pessoas internadas (mais cinco), das quais 63 estão em unidades de cuidados intensivos, menos um caso face aos dados do relatório de domingo.

Há a registar 31 065 pessoas que recuperaram da doença - mais 158 em relação a domingo. Atualmente, há 14.091 casos ativos (mais 146 em comparação com o dia anterior).

Dos 306 novos casos, 254 (83%) foram identificados em Lisboa e Vale do Tejo, que acumula 22 865 infetados.

Em relação a outras regiões, há a registar mais 33 casos no Norte (18 142), mais 9 no Centro (4276), mais quatro no Alentejo (576) e outros quatro no Algarve (708). Foram identificados mais dois casos positivos na Madeira, elevando para 99 o número total, sem registo de óbitos. Os Açores mantêm os 152 infetados.

Quanto aos novos óbitos, um regista-se em Lisboa e Vale do Tejo (541 no total) e o outro foi reportado na região Norte, que regista o maior número de mortes (823). Até esta segunda-feira, verificam-se 250 mortos no Centro, 18 no Alentejo, 15 no Algarve e o mesmo número registado nos Açores.

No que diz respeito à informação por concelhos, a DGS indica que o relatório desta segunda-feira não inclui a atualização da imputação de casos e que está a verificar todos os dados com as autoridades locais e regionais de saúde, um trabalho que deverá ficar concluído nos próximos dias.

A taxa de letalidade é de 3,5% e acima dos 70 anos é 16,1 %, de acordo com o secretário de Estado da Saúde na conferência de imprensa sobre a evolução da pandemia de covid-19 em Portugal. António Lacerda Sales referiu que em relação aos lares "há 5,5% das estruturas com casos de funcionários ou de utentes infetados". "Mantém-se a tendência de decréscimo", afirmou. Uma percenteagem que representa um total de cerca de 153 lares. "Não desistimos de proteger os mais velhos", disse António Lacerda Sales.

Plano de "grande profundidade" para o Inverno

O secretário de Estado deixou, no entanto, um aviso: "este vírus não tira férias e a sua propagação não anda ao sabor das estações do ano".

António Lacerda Sales afirmou até ao dia 7 de julho foram contratados 3894 profissionais de saúde, "entre médicos, enfermeiros, assistentes técnicos e assistentes operacionais". Um número que poderá aumentar consoante as necessidades durante o verão e o inverno, afirmou.

No entanto, disse, o plano das autoridades de saúde para o inverno não passa apenas pelo reforço de recursos humanos, mas também pelo reforço da capacidade dos hospitais e unidades de cuidados intensivos, pela vacinação, pelo aumento da capacidade de testagem ao nível do SNS, pela preparação à resposta covid e não covid. "Temos de manter a atividade não covid num eventual segundo surto", referiu.

O recurso a novas tecnologias como a teleconsulta e novos processos de reorganização de teletrabalho fazem igualmente parte do plano de preparação para o inverno que o secretário de Estado da Saúde considerou ser "de grande profundidade".

Há 42 casos confirmados numa fábrica do Carregado

Na conferência de imprensa, Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, atualizou os dados relativos ao surto numa fábrica de cerâmica do Carregado, no concelho de Alenquer, indicando que há 42 casos confirmados de covid-19.

Foram realizados centenas de testes a trabalhadores da unidade fabril, cujas instalações foram desinfetadas. Mais de 100 pessoas aguardam o resultado dos testes.

Já em relação ao surto no IPO de Lisboa, a diretora-geral da Saúde informou que "a situação está completamente estabilizada", "Continua a política de testar pessoas: profissionais, doentes, pessoas externas. A situação é dada como estável. Continuaremos a acompanhar até o surto ser dado como encerrado", afirmou Graça Freitas.

Sobre o surto no Hospital de São José, em Lisboa, "dos 36 doentes internados, sete deram positivo e foram transferidos para o Hospital Curry Cabral". "Os 130 profissionais foram todos testados, dez estão em domicílio e os outros estão a trabalhar devidamente protegidos", acrescentou Graça Freitas.

O boletim epidemiológico da DGS indica ainda que as autoridades de saúde mantêm sob vigilância 34.301 contactos de pessoas - menos 211 do que no domingo -- e 1.291 casos aguardam resultado laboratorial.

Por faixas etárias, o maior número de óbitos concentra-se nas pessoas com mais de 80 anos (1.111), seguidas das que tinham entre 70 e 79 anos, que são no total 321 (mais uma), entre 60 e 69 anos (150) e entre 50 e 59 anos (55). Há 20 mortos registados entre os 40 e 49 anos, três entre os 30 e 39 (mais um óbito referente a uma mulher) e dois entre os 20 e 29 anos de idade.

Em termos de infetados, a maioria encontra-se na faixa etária entre 40 e 49 anos (7.712), depois entre 30 e 39 anos (7.587), 50 a 59 anos (7.198), 20 e 29 anos (7.040) e mais de 80 anos (5.602).

Reino Unido com mais de 100 surtos por semana

A pandemia de covid-19 não dá sinais de abrandar, com vários países a debaterem-se com novos surtos e a terem de dar um passo atrás nas medidas de desconfinamento.

No Reino Unido, por exemplo, as autoridades estão a atuar para suprimir mais de 100 surtos localizados de covid-19 por semana, revelou esta segunda-feira o ministro da Saúde Matt Hancock, a propósito de mais uma fase de alívio de restrições.

Num artigo publicado no jornal Daily Telegraph, Hancock escreve que o aumento de capacidade de testagem está a permitir encontrar mais casos.

"O resultado é que podemos aliviar mais o confinamento, e tomar medidas direcionadas. Todas as semanas são aplicadas mais de 100 ações locais por todo o país, algumas são noticiadas, mas outras são resolvidas de forma rápida e silenciosa", adianta.

No domingo, a direção geral da saúde de Inglaterra indicou que cerca de 200 trabalhadores de uma propriedade agrícola no condado inglês de Herefordshire foram colocados em isolamento após terem sido identificados 73 infetados.

A cidade de Leicester foi a primeira localidade onde foi imposto um confinamento circunscrito há duas semanas devido ao aumento elevado da taxa de infeção, atribuído a uma série de fábricas de têxteis na região, devendo a medida ser reavaliada nos próximos dias.

Também esta segunda-feira, as autoridades marroquinas determinaram o confinamento de Tânger (norte), cidade com cerca de um milhão de habitantes, a partir das 12:00 (mesma hora em Lisboa), devido ao surgimento de vários focos de infeção pelo novo coronavírus.

A medida implica a suspensão dos transportes públicos, o encerramento de cafés, centros comerciais, mercados e espaços públicos e o reforço do controlo da circulação de pessoas nas ruas, segundo um comunicado do Ministério do Interior marroquino.

As autoridades apelam aos habitantes que só saiam do domicílio "em caso de necessidade extrema" e determinaram que qualquer deslocação dentro da cidade está sujeita a "uma autorização excecional das autoridades".

Municípios na Catalunha em confinamento parcial

Já em Espanha, a conselheira da Saúde da Generalitat (Governo da Catalunha), Alba Vergés, anunciou no domingo que a cidade de Lleida e sete outros municípios da região de Segrià aplicarão mais uma vez o confinamento parcial, tendo em conta o aumento de casos de transmissão da covid-19.

Alba Vergés anunciou que as populações afetadas por este confinamento parcial serão Lleida, Alcarràs, Serós, Soses, Aitona, La Granja d'Escarp, Massalcoreig, Torres de Segre e as unidades municipais descentralizadas de Sucs e Raimat.

A ministra da Saúde da Catalunha explicou que as pessoas devem ficar em casa e sair só para trabalhar, desde que não possam estar em teletrabalho, e para fazerem as compras básicas.

A conselheira indicou que, embora a taxa de contágio pelo novo coronavírus tenha baixado em Lleida, na Segrià houve um aumento de 190 novos casos desde sábado e de 691 na última semana.

México tornou-se no quarto país com mais mortes no mundo

O México tornou-se no domingo no quarto país do mundo com mais mortes causadas pela covid-19, de acordo com um balanço da agência AFP, baseado em fontes governamentais mexicanas.

"Há no México 299.750 contágios confirmados e 35.006 mortos", desde o início da epidemia no país, indicaram as autoridades sanitárias mexicanas numa mensagem divulgada na rede social Twitter.

Num dia, o México registou 4.482 novos casos da doença e 276 mortos, acrescentaram.

Os Estados Unidos são o país com o maior número de mortos (mais de 135 mil), seguindo-se o Brasil (72.100), o Reino Unido (44.819) e desde domingo o México.

América Latina e Caraíbas são a segunda região do mundo com mais mortes por covid-19

A região da América Latina e Caraíbas tornou-se esta segunda-feira a segunda mais afetada pela pandemia de covid-19 no mundo em número de mortos, depois da Europa, com mais de 144 mil óbitos oficialmente declarados, segundo uma contagem da agência France-Presse.

Com 144.758 mortos declarados oficialmente às 09:00 desta segunda-feira, a região ultrapassou o total de óbitos apresentados pelos Estados Unidos e Canadá (acumulado de 144.023) e situa-se atrás da Europa, que regista 202.505

A pandemia do novo coronavírus já causou a morte a pelo menos 569.135 pessoas e infetou quase 13 milhões em todo o mundo desde dezembro, segundo um balanço da agência AFP baseado em dados oficiais.

De acordo com os dados recolhidos pela agência de notícias francesa até às 11:00 de Lisboa, já morreram pelo menos 569.135 pessoas e há mais de 12.927.000 infetados em 196 países e territórios desde o início da epidemia.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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