Mais 257 casos: "Travar transmissão depende de cada um de nós"

Portugal com 32 203 casos e 1396 mortos por coronavírus. Boletim epidemiológico aponta mais 257 casos e mais 13 mortes nas últimas 24 horas.

Em Portugal, nas últimas 24 horas, morreram mais 13 pessoas e foram confirmados mais 257 casos de covid-19 (mais 0,8% do que no dia anterior). Segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), deste sábado (30 de maio), no total, desde que a pandemia começou registaram-se 32 203 infetados, 19 186 recuperados (mais 275) e 1396 vítimas mortais no país.

Há ainda 514 doentes hospitalizados (menos 13 que na sexta-feira), dos quais 63 nos cuidados intensivos (menos três que na véspera), com 11 104 pessoas a recuperar em casa. " A pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde continua a diminuir", disse a ministra da Saúde, Marta Temido, na conferência de imprensa. Há 2134 pessoas a aguardar o resultado do teste, mais 566 que na véspera.

No mapa epidemiológico, há mais 231 casos na região de Lisboa e Vale do Tejo, mais 14 no Norte, mais 11 no Centro e mais um no Algarve. Alentejo, Açores e Madeira continuam com os mesmos números que no boletim de sexta-feira.

"A média do RT para os dias 23 a 27 de maio era de 1,03, que variava entre 0,93 na região Norte, 0,98 na região Centro e 1,05 na região de Lisboa e Vale do Tejo", acrescentou Marta Temido, que lembra que já foi de 2,33.

Em relação a óbitos, foram registados mais oito na região de Lisboa e Vale do Tejo, mais quatro na região Norte e um na região Centro. Não há óbitos nas outras regiões. A taxa de globalidade global é de 4,3% e, acima dos 70 anos, de 17%.

Medidas específicas para Lisboa

Amadora, Lisboa, Loures, Odivelas e Sintra são os concelhos que preocupam na região de Lisboa e Vale do Tejo, sendo que desde meados de maio que o número de novos casos se mantém em cerca de 180 novos casos por dia. E nos últimos oito dias representou, em média, mais de 85% dos novos casos registados no país.

"Mas, como referi, estes números não se distribuem simetricamente por toda a região", lembra a ministra, indicando que por causa dos surtos específicos naqueles concelhos é preciso uma maior atenção. "Torna-se essencial a adoção de medidas específicas de saúde pública e estamos a adotá-las", acrescentou.

Haverá o reforço do rastreio da infeção focado nas atividades onde tem havido maior incidência e surtos, como construção civil, abastecimento, transporte e distribuição. A testagem de todas as pessoas relativamente às quais as autoridades de saúde tenham determinado a vigilância ativa por terem sido contactos com estes profissionais. Além disso, a determinação do confinamento obrigatório destas pessoas.

A ministra fala ainda da identificação de locais alternativos para o confinamento obrigatório, caso as residências não tenham as condições para o permitir. "Finalmente, o acompanhamento clínico diário, através de visitas diárias para melhor perceção do contexto destes doentes.

"Acreditamos que esta será uma estratégia que permitirá, ao longo das próximas semanas e dias, reduzir o número de contágios e minimizar o risco de transmissão comunitária nesta região", indicou a ministra, lançando um apelo: "Se estiverem com sintomas, se estiverem doentes, por favor não vão trabalhar".

O governo apela ainda ao distanciamento físico, ao uso de máscara, à não partilha de objetos. A ministra diz que é preciso quebrar as cadeias de transmissão e que isso "depende de cada um de nós". No caso dos bairros sociais, Marta Temido indica que neste momento o que é preciso é trabalho no terreno com as pessoas que já trabalham nesse terreno.

O envolvimento das pessoas e a pedagogia continuam a ser os melhores instrumentos, diz a ministra, porque são comportamentos individuais e não há alternativa a não ser pedir às pessoas que compram as medidas básicas. Marta Temido lembra contudo, por exemplo, que no caso do incumprimento do confinamento domiciliário pode haver lugar a crime de desobediência.

O aumento de casos na região de Lisboa e Vale do Tejo nos últimos dias levou o governo português a decidir pôr um travão no desconfinamento nesta região, nomeadamente no que diz respeito à abertura dos centros comerciais ou reuniões com mais de 10 pessoas. No resto do país estes podem reabrir na segunda-feira e as reuniões podem ser de até 20 pessoas.

O foco na construção civil

"Ao longo desta pandemia temos tido focos de doença e focos de preocupação", lembra a ministra, falando das pessoas mais velhas, depois dos grupos de risco, depois pessoas institucionalizadas e agora grupos laborais. "Não tem que haver qualquer tipo de estigmatização", afirma.

"Não passará pela cabeça de ninguém dizer que quem trabalha em determinadas atividades tem qualquer tipo de responsabilidade adicional face à sociedade em geral", defende Marta Temido, quando questionado sobre o que tinha acontecido no setor da construção civil. A ministra diz que foram tomadas agora medidas específicas no caso, por exemplo, do transporte dos trabalhadores nas carrinhas, que podem ser um eventual local de contágio.

Não se sabe, indica, de quantas pessoas estamos a falar neste momento A diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, fala num número muito provisório de 140 pessoas, lembrando que o trabalho de identificação e de testagem vai continuar e que para a semana será possível saber mais.

Esplanadas e cafés

Questionada sobre as esplanadas cheias, Graça Freitas diz que é aconselhável ir para a retoma da economia e da vida social e das relações, mas com os cuidados que se conhecem. "Não é ir à esplanada como íamos no verão passado", afirma. "As esplanadas podem ser frequentadas desde que as regras são adotadas", acrescentou, já que o não cumprimento está a permitir a continuação das cadeias de contágio.

Em relação ao regresso dos jogos de futebol, transmitidos em canais fechados, a ministra diz que é preciso cumprir as regras caso as pessoas escolham ir para os cafés ver os jogos, apelando aos proprietários dos espaços que façam por as cumprir.

Risco de insegurança alimentar

Um em cada três portugueses (33,7%) tem receio de não ter rendimentos para pagar comida. Sendo que 8,3% admitem mesmo já sentir essa dificuldade, revela um inquérito nacional sobre hábitos alimentares e atividade física, realizado pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e pelo Instituto de Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, publicado este sábado.

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