PCP é primeiro partido a retomar comícios, ao ar livre, em Lisboa

O PCP foi o último partido a fazer um comício, em março, antes de o país "parar" devido à pandemia de covid-19 e vai ser o primeiro a organizar uma iniciativa deste tipo, no domingo, em Lisboa.

Se em 6 de março os comunistas assinalaram 99 anos de história no Pavilhão dos Desportos, em Lisboa, a duas semanas de ser decretado o estado de emergência, no domingo o partido liderado por Jerónimo de Sousa organiza um comício contra a retirada de direitos dos trabalhadores.

Em 17 de maio, após uma reunião do Comité Central, Jerónimo de Sousa afirmou que o comício marca o início de um conjunto de iniciativas sob o lema "Nem um direito a menos, confiança e luta por uma vida melhor", e rejeitou que se coloque em causa "o direito inalienável da atividade política".

"Era o que mais faltava que neste momento se procurassem cercear as liberdades democráticas, a atividade política, coisa que o povo português não aceita, e que sacudiu e acabou há 40 anos. Teremos em conta, naturalmente, as medidas que se verificam em termos de segurança sanitária, isso posso garantir, corresponderemos à realidade e às medidas que se aplicam", afirmou.

Questionado pela Lusa, sobre as medidas de segurança, em concreto, para esta iniciativa, o gabinete de imprensa reiterou: "O comício realizar-se-á observando as regras de proteção sanitária."

Neste caso, o comício realiza-se ao ar livre, no alto do parque Eduardo VII em Lisboa, respeitando o distanciamento físico entre os participantes.

"Não peçam ao PCP que se cale numa altura em que tanta gente sofre o drama do isolamento, da falta de rendimentos, sem futuro a olhar para a frente para a sua vida. Era o que faltava o PCP calar-se nesta altura em que a democracia continua a vigorar em pleno", reforçou o secretário-geral do PCP, em 17 de maio.

Em Portugal, morreram 1.455 pessoas das 33.592 confirmadas como infetadas com covid-19, e há 20.323 casos recuperados, de acordo com os dados divulgados hoje pela Direção-Geral da Saúde.

O país entrou no dia 3 de maio em situação de calamidade devido à pandemia, prolongado até 14 de junho, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência, de 19 de março a 02 de maio.

Esta fase de combate à covid-19 prevê o confinamento obrigatório apenas para pessoas doentes e em vigilância ativa e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 385 mil mortos e infetou mais de 6,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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