Os bravos motoristas dos transportes públicos: "Começo a sentir ansiedade"

Em Lisboa, continuam ao serviço os motoristas da Carris, os maquinistas do Metro e condutores de TVDE. O que mais os preocupa é a falta de noção de alguns, passageiros e colegas de trabalho, sobre os perigos do coronavírus.

Para muitos lisboetas, a cidade parece ter parado - resguardados nas suas casas, talvez alterem a sua foto de perfil no Facebook para a moldura com a #FicaEmCasa. Apesar da calma nas ruas, ainda é possível ver, através da janela, os autocarros e automóveis a circular.

E ainda são muitos os que todos os dias têm de sair para trabalhar. Há que transportá-los, e é por isso que, mesmo em serviços mínimos, os transportes públicos não pararam. Os bravos que os conduzem estão, por assim dizer, numa missão.

É o caso de André Oliveira, motorista da Carris. André diz que "o serviço está assegurado", apesar de, obviamente, ter havido uma baixa considerável de passageiros. Os passageiros entram pela porta traseira, não é preciso tocar, há paragem obrigatória em todas as paragens, mas os autocarros ainda não estão vedados no lugar do condutor, conta André, que improvisa todos os dias com rolos de papel.

Os kits distribuídos pela Carris por cada motorista são insuficientes: três máscaras, dois lenços de papel, meia dúzia de toalhitas, um par de luvas e um folheto informativo. "Não é muito prático", comenta André, "as máscaras esgotam facilmente". Na segunda-feira, esperava-se que os motoristas fossem sujeitos a medições de temperatura, mas isso não chegou a acontecer. "Ainda nem todos se aperceberam da gravidade da situação", alerta André.

No metro também foram decretadas medidas de prevenção: afixação de cartazes no interior das carruagens, meios digitais e mensagens sonoras e escrita, comboios de seis carruagens em todas as linhas, definição, instalação e equipamento de zonas de isolamento nas estações e reforço da limpeza e da desinfeção.

Paulo Moreira, maquinista, diz que "os funcionários não tomam muitas medidas preventivas". E ainda não lhes foram dadas máscaras, apenas gel desinfetante. "Começo a sentir ansiedade, é perigoso, a empresa não toma grandes medidas", diz o maquinista.

E nos carros particulares, tipo Uber, os chamados TVDE? Caue Martins, empresário e motorista da Uber, só tem trabalhado cinco a seis horas da parte da tarde, uma vez que "de manhã não vale a pena" - tem colegas que desistiram de trabalhar, porque "não compensa estarem na rua". Apesar disso, Caue ainda vai conseguindo clientes. "Há pessoas a tentar sair do país, a ir para o aeroporto", explica. "E há clientes a virem do aeroporto, de todas as nacionalidades, sem haver qualquer tipo de controlo". O futuro é o que mais o assusta, já que "se o mercado estava a destruir as pequenas empresas, os pequenos empresários, agora num momento como este, boa parte das empresas vai falir e fechar".

Recomendações da DGS:


Para evitar que a epidemia se espalhe a DGS reforça os conselhos relativos à prevenção: evitar contacto próximo com pessoas que demonstrem sinais de infeção respiratória aguda, lavar frequentemente as mãos, evitar contacto com animais, tapar o nariz e a boca quando espirra ou tosse e lavar as mãos de seguida pelo menos durante 20 segundos.

Em caso de apresentar sintomas coincidentes com os do vírus (febre, tosse, dificuldade respiratória), a autoridade de saúde pede que não se desloque às urgências, mas para ligar para a Linha SNS 24 (808 24 24 24).

A tosse é o sintoma mais frequente (65%) entre os casos confirmados, seguida de febre (46%), dores musculares (40%), cefaleia (37%), fraqueza generalizada (24%) e, por último, dificuldades respiratórias (10%).

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