"Nível de desprezo inédito". Médicos pedem reunião urgente com ministra

Ordem dos Médicos acusa ministra da Saúde de "total falta de respeito" devido a um "conjunto de atitudes e declarações ocorridos nos últimos meses".

A Ordem dos Médicos pediu hoje uma reunião com caráter de urgência à ministra da Saúde, na sequência de atitudes e declarações da tutela que "revelam uma total falta de respeito" e um "nível de desprezo nunca antes alcançado".

Fonte oficial da Ordem dos Médicos adiantou à agência Lusa que o Conselho Nacional da Ordem teve uma reunião extraordinária no domingo na qual foi decidido pedir um encontro urgente com a ministra da Saúde, Marta Temido.

"Na base desta decisão está um conjunto de atitudes e declarações ocorridos nos últimos meses e que revelam da parte da tutela uma total falta de respeito pelos médicos, com um nível de desprezo e desvalorização nunca antes alcançado", declarou a mesma fonte oficial da Ordem dos Médicos, indicando que o pedido de reunião urgente seguiu já hoje para o Ministério da Saúde. A mesma fonte acrescenta que o órgão máximo da Ordem, o Conselho Nacional, considera que a situação "ultrapassou o limite do aceitável".

Estruturas médicas, como o Sindicato Independente dos Médicos e a própria Ordem, têm criticado nos últimos dias declarações recentes da ministra da Saúde sobre o salário dos médicos e sobre eventuais medidas para obrigar os recém-especialistas a permanecer no Serviço Nacional de Saúde (SNS) após conclusão do internato.

No fim de semana, o bastonário dos Médicos, Miguel Guimarães, escreveu no jornal Observador um artigo de opinião em que considerou "lamentável e inaceitável (...) a ingratidão do poder político para com as pessoas que todos os dias tornam o SNS possível, evitando que as más políticas tenham um impacto mais gravoso no terreno".

"A recente entrevista da ministra da Saúde, Marta Temido, à TVI, sem o devido contraditório, foi mais um triste episódio de um mandato que é curto, mas que, infelizmente, está já repleto de momentos que em nada servem os doentes, os profissionais e o SNS."

Nessa entrevista à TVI, a ministra Marta Temido admitiu, nomeadamente, a possibilidade de avançar com formas para reter no SNS por algum período de tempo os recém-especialistas que se formem no setor público.

A este propósito, o Sindicato Independente dos Médicos já admitiu avançar para uma greve de médicos internos como protesto pela forma como o Governo tem tratado estes profissionais em formação especializada.

O bastonário dos Médicos contestou ainda afirmações da ministra sobre o salário dos médicos em início de carreira e sobre os acordos coletivos de trabalho dos médicos. Para Miguel Guimarães, a ministra, "ao tentar empurrar para fora a responsabilidade de todos os males do SNS, está a condenar a saúde em Portugal".

Na segunda-feira, outra decisão do Governo motivou um protesto da Ordem dos Médicos, desta vez sobre a substituição de profissionais nos hospitais do SNS. A Ordem dos Médicos acusou o Governo de discriminação ao impedir que os profissionais desta classe sejam substituídos sem autorização prévia do Ministério das Finanças, quando abriu essa possibilidade aos restantes trabalhadores de saúde, como enfermeiros e assistentes operacionais.

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