No Name Boys planeavam ao pormenor agressões a rivais. Há sete detidos

Recolhiam dados, como moradas e viaturas, de rivais e depois atacavam "com grande violência", sempre com o rosto tapado, diz a PSP. Tinham manuscrito com dados sobre jornalistas e comentadores. Roubos, ofensa à integrada física e tentativas de homicídio são os crimes em causa na Operação Sem Rosto.

A PSP deteve sete elementos da claque No Name Boys, no âmbito da Operação Sem Rosto, uma ação policial que visou este grupo organizado de adeptos do Benfica pela prática de vários crimes graves desde maio do ano passado. O comissário Bruno Pereira disse que, além de ações de violência nos estádios e proximidades, estes indivíduos planeavam, com grande organização prévia, o ataque a pessoas de clubes rivais. Tinham registo de moradas e viaturas dos seus alvos e usavam de grande violência. A polícia encontrou ainda listas manuscritas com dados de jornalistas, comentadores de TV e diretores de clubes.

"Ao longo de aproximadamente um ano, foram investigados vários crimes, entre eles, roubos, ofensas à integridade física qualificadas, danos e homicídio na forma tentada, praticados por um grupo de indivíduos pertencentes à claque No Name Boys", anunciou a PSP em comunicado.

"Havia ações claramente planeadas, orquestradas e é bem indicativo disso mesmo o facto de serem encontrados manuscritos com elementos de identificação e informações relacionados com jornalistas, pessoas com cargos de direção em clubes, comentadores de televisão, claramente demonstrativo daquilo que eram os impulsos que moviam estas ações e grau de planeamento prévio, que foge ao que é uma mera reação de oportunidade ou estímulo", explicou o comissário Bruno Pereira.

O comissário do Comando Metropolitano de Lisboa acrescentou que estão em causa um crime de homicídio na forma tentada, três de roubo, vários de ofensas à integradas física qualificadas - incluindo a agentes da autoridade e a adeptos de clubes estrangeiros -, dano e furto. Um dos casos é a agressão a um homem alegadamente pertencente à Juventude Leonina, em maio, em São João do Estoril, concelho de Cascais, confirmou o responsável.

Na altura, em comunicado, a PSP dizia que o homem, de 32 anos, que se encontrava sozinho, estava a ser agredido quando um agente da PSP, em patrulhamento de prevenção criminal no local, se apercebeu da situação e interveio. "Os suspeitos cessaram as agressões e colocaram-se em fuga em várias direções, não tendo sido possível intercetar nenhum deles", segundo a PSP. Apesar da intervenção do agente policial, a vítima sofreu várias lesões e foi transportado para o hospital.

A polícia adiantava que "apesar dos suspeitos estarem de rosto tapado, a vítima reconhece-os em virtude de existir uma rivalidade antiga entre eles". A Juventude Leonina é um grupo organizado de adeptos ligado ao Sporting, enquanto os 'No Name Boys' estão ligados ao Benfica.

O facto de estes indivíduos atuarem sempre de cara tapada levou a PSP a denominar esta operação de Sem Rosto. Quando esta agressão ocorreu, já decorria a investigação há cerca de um ano e a PSP conseguiu depois fazer a ligação entre vários casos de agressões e roubos ao mesmo grupo de pessoas, todos elementos dos No Name Boys. "Agrediam violentamente e chegavam a deixar as vítimas inanimadas. Muitas vezes, corriam risco de vida", frisou.

Com os elementos de prova, recolhidos, esta quinta-feira foram efetuadas as detenções, Seis homens, com idades entre 22 e 33 anos, foram detidos sem Lisboa, Amadora, Loures e Vila Franca de Xira devido aos factos sob investigação, enquanto um sétimo elemento foi detido na Amadora de forma colateral por ter na sua posse uma arma 6.35 mm e droga.

O responsável do Cometlis adiantou na conferência de imprensa que foram apreendias várias armas, entre as quais um revólver .22, soqueiras, facas, entre outros objetos.

Investigada ligação a vandalismo em casas de treinador e futebolistas

O comissário Bruno Pereira disse que da investigação não é possível concluir que este grupo esteja ligado ao ataque com pedras ao autocarro do Benfica e ao vandalismo que atingiu as residências de treinador e futebolistas do clube. São situações que ainda estão a ser investigadas e a PSP admite que possa vir a haver mais detenções no âmbito deste inquérito.

"Não consigo concretizar que haja uma relação direta entre os arguidos detidos hoje com essa situação, mas esses factos estão sob investigação e existe a possibilidade de, entre os suspeitos detidos hoje e os que possam vir a ser identificados, haver uma relação direta ou pelo menos da mesma natureza", disse o comissário da PSP

Nesta operação Sem Rosto, as várias diligências processuais e investigatórias envolveram buscas domiciliárias e não domiciliárias, bem como o cumprimento dos vários mandados de detenção fora de flagrante delito,

A PSP assegura que a violência no futebol é uma das suas preocupações devido ao alarme social que gera e que esta operação é uma resposta a esse fenómeno.

(Notícia atualizada às 12h05)

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