OCDE diz que são precisos mais enfermeiros em Portugal

Relatório bianual da OCDE analisa várias áreas da economia portuguesa e refere que quanto mais a população aumenta mais os gastos da saúde aumentam e mais profissionais são necessários.

A Ordem dos Enfermeiros vem alertar para o relatório da OCDE que indica haver falta de profissionais da classe no país. Em comunicado, a Ordem cita o documento para explicar que à medida que a percentagem de população idosa aumenta, os gastos com a saúde também deverão aumentar muito e rapidamente. E, embora, "o governo já tenha começado a melhorar a eficiência dos gastos em saúde pública, ainda carece de uma estratégia abrangente para lidar com os custos do envelhecimento relacionado com a saúde."

Entre várias recomendações, a OCDE defende que a solução passa por apostar nos cuidados primários e para tal, "a disponibilidade de enfermeiros é essencial para assegurar cuidados primários e apoio domiciliários", sublinha a Ordem, recordando que Portugal é dos Países da OCDE com o mais baixo rácio de Enfermeiros/1000 habitantes. A média dos Países da OCDE situa-se nos 9.3 Enfermeiros/1000 habitantes e Portugal tem no SNS 4.2 Enfermeiros/1000 habitantes.

Para a Ordem a realidade descrita neste relatório "só vem confirmar aquilo que a Ordem defende há mais de três anos: a falta de enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde para que seja preservada a máxima qualidade dos cuidados de saúde prestados, bem como a segurança dos utentes, refere Ricardo Correia de Matos, Presidente da Secção Regional do Centro.

O documento assume que houve um forte aumento do número de enfermeiros nas últimas décadas em Portugal, mas que as carências ainda persistem, o que pode resultar do número reduzido de licenciados em Enfermagem nos últimos anos, devido à redução do número de alunos aceites durante os anos da crise em Portugal.

Em Portugal, e segundo dados da classe, há mais de 70 mil profissionais inscritos na Ordem, embora nem todos estejam no SNS. Nos últimos anos, as condições de trabalho e a insatisfação quanto a alguns direitos laborais, que consideram injustos, como o congelamento dos escalões, a ausência da categoria de enfermeiro especialista e a definição da idade para a reforma, têm colocado a classe em protesto.

Desde novembro que dois sindicatos e um movimento lançaram a greve cirúrgica, o que já levou ao adiantamento de milhares de cirurgias. Há duas semanas o Governo decretou a requisição civil e a Procuradoria-Geral da República veio, na sexta-feira, dizer que este tipo de greve é ilegal. Estes sindicatos e o movimento já avançaram para uma greve nacional no dia 8 de março.

A bastonária dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, tem estado sempre ao lado da classe nesta luta.

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