Neurocirurgião sob suspeita. Ordem dos Médicos abre averiguação. Hospital em silêncio

O neurocirurgião de Coimbra que está a ser investigado pelo Ministério Público continua a operar no Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, apesar das suspeitas de negligência e morte de pacientes.

O Conselho Disciplinar da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) decidiu abrir um processo de averiguação ao caso do neurocirurgião do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC) que está a ser investigado pelo Ministério Público (MP) por suspeita de negligência. Em causa, conforme o DN noticiou na passada terça-feira, estão as mortes de vários pacientes, dois deles em janeiro passado - um tinha 29 anos, o outro, 40 - por alegadas más práticas, em violação das leges artis da medicina- o conjunto de regras científicas e técnicas internacionais.

De acordo com o presidente desta secção da OM, Carlos Cortes, "assim que se viu a notícia, imediatamente a mesma foi enviada para o Conselho Disciplinar, que é um órgão autónomo de deliberação, para abertura de um processo". Em comunicado enviado ao DN, a presidente deste órgão, Isabel Luzeiro, confirma que foi "instaurado um processo de averiguação com vista a apurar da existência de eventual má prática clínica no Serviço de Neurocirurgia do CHUC e seu/s autor/es".

O médico em causa, com 62 anos, é chefe da equipa especializada em tumores cerebrais e foi nestas cirurgias que a sua atuação começou a deixar em alerta outros profissionais do hospital e as equipas médicas que o acompanhavam. A situação ter-se-á agravado de tal forma que vários anestesistas especializados em neurocirurgia se têm recusado a operar com esse médico.

A denúncia, dirigida à procuradora-geral da República (PGR), Lucília Gago, e ao diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Luís Neves, com base na informação de outros médicos e pessoal do hospital - que não conseguiram ficar em silêncio -perante o agravamento da situação nos últimos dois anos.

A denúncia, dirigida à procuradora-geral da República (PGR), Lucília Gago, e ao diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Luís Neves, com base na informação de outros médicos e pessoal do hospital - que não conseguiram ficar em silêncio -perante o agravamento da situação nos últimos dois anos. Todos os documentos chegaram à ex-eurodeputada Ana Gomes que assinou a queixa, para evitar represálias contra os profissionais. O inquérito é titulado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal de Coimbra e está a ser conduzido pela PJ.

Nessa queixa há referência a uma participação feita à Ordem dos Médicos, na Secção Regional Centro, em setembro de 2018, sobre os alegados atos negligentes do neurocirurgião, alertando para a morosidade de medidas. Confrontado com esta informação, Carlos Cortes nega a que tenha dado entrada uma denúncia com o referido conteúdo.

A mesma posição é assumida pelo Conselho Disciplinar: "Não se encontra pendente neste CDRC qualquer processo de averiguação ou disciplinar, envolvendo médicos do Serviço de Neurocirurgia do CHUC em que esteja em causa a eventual violação das leges artis da medicina, assegura Isabel Luzeiro.

Segundo fontes do CHUC que estão a acompanhar este processo e que estiveram envolvidas na denúncia, o médico sob suspeita "continua a operar, como se nada se passasse". Revelam a existência de um "clima de medo" no departamento de neurocirugia.

Segundo fontes do CHUC que estão a acompanhar este processo e que estiveram envolvidas na denúncia, o médico sob suspeita "continua a operar, como se nada se passasse". Revelam a existência de um "clima de medo" no departamento de neurocirurgia. "Talvez porque o médico tivesse sabido que estava a ser investigado, a pressão sobre o staff tem sido enorme, tentando fazer que não falem às autoridades ameaçando que podem perder o emprego",

Questionado sobre o porquê de, perante suspeitas tão graves como as investigadas pelo MP, não poderem ser aplicadas medidas preventivas, como a suspensão temporária do neurocirurgião, Carlos Cortes remeteu essa decisão para o hospital. Contactado pelo DN, o CHUC não respondeu a nenhuma das questões colocadas. Aliás, antes de a notícia da investigação ser publicada, o CHUC também se tinha remetido ao silêncio, impedindo até o contraditório com o médico visado.

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