Mora em Espanha, trabalha em Portugal e foi multada por atravessar a fronteira para trabalhar

Cecilia Puga mora em Arbo e tem um salão de cabeleireiro em Melgaço. Desde 4 de maio, quando pôde reabri-lo, que atravessa a fronteira todos os dias para trabalhar. Até que uma agente do SEF a parou e chamou a GNR, que lhe passou uma multa.

A notícia é do jornal La Voz de Galicia. Cecilia Puga, moradora em Arbo, com um salão de cabeleireiro em Melgaço, que em linha reta fica a pouco mais de um quilómetro de sua casa, mas, devido às restrições impostas pela pandemia da covid-19, passou a estar a uma distância de cerca 100 quilómetros, já que para lá chegar só pela ponte de Tui, teve que tomar uma decisão quando foi informada de que a 4 de maio podia reabrir o negócio.

Apesar da distância, do gasto que passava a implicar em gasolina e em tempo, e de todas as adaptações e limitações com que passaria a ter que trabalhar, para cumprir as regras impostas a estes estabelecimentos comerciais, resolveu abrir.

Durante um mês, estes foram os únicos obstáculos a superar. No entanto, a partir de 4 de junho, a situação mudou de figura. Além de tremer a cada vez que sai de casa para passar a ponte de Tui, já conta com uma ameaça de detenção e uma multa de 250 euros por não trazer consigo a "guia de circulação".

Até àquela data nunca tinha sido levantado qualquer problema pelos agentes do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) que verificaram a sua documentação, até que uma agente lhe disse que os papéis não serviam.

"Dizia-me que tinha que demonstrar que a minha empresa estava mesmo aberta para que a documentação de trabalhadora transfronteiriça fosse válida. Reteve-me ali cinco horas, apesar de ter conseguido demonstrá-lo com uma aplicação digital. Tratou-me como se estivéssemos na fronteira do México com os Estados Unidos", conta Cecilia ao La Voz da Galicia.

Do Posto de Cooperação Policial de Tui, aonde se dirigiu várias vezes, diziam-lhe que estava tudo em ordem, mas na fronteira, quando era aquela a agente de serviço, as dificuldades mantinham-se.

Chegou a ser ameaçada com detenção e o ponto alto aconteceu no dia em que em vez do seu carro, que avariou, levou o do marido, e não trazia consigo a guia de circulação. A GNR foi chamada e passou-lhe uma multa de 250 euros.

"Não me deixavam passar e ameaçaram deter-me por, supostamente, não acreditarem, com mil papéis, que sou trabalhadora transfronteiriça, mas passam-me uma multa por não levar um papel que, em teoria só os trabalhadores com carro da empresa têm", diz, incrédula, Cecília Puga, que acabou por ter que pernoitar em casa de uma cliente por não querer voltar a passar a ponte e pelo mesmo suplício (dia seguinte era sábado e tinha muito trabalho pela frente).

Descendente de portugueses e a trabalhar há 19 anos deste lado da fronteira, garante que vai recorrer da multa e fazer queixa da funcionária, mas faz questão de elogiar o trabalho dos restantes agentes do SEF, da GNR, da Polícia Nacional e da Guardia Civil.

Agora, não cabe é em si de contente com a reabertura da ponte de Arbo. "Quando soube que ia reabrir foi como se me tivesse saído a lotaria".

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