Natal chega com sol, mas cheias mantêm-se "preocupantes" no Mondego

Águas do Mondego já baixaram dos níveis críticos, mas a situação continua preocupante e cheia vai manter-se por alguns dias. A meteorologia, entretanto, já amainou e o Natal, à exceção dos Açores, vai chegar com sol

A situação de cheias na zona do Baixo Mondego ainda preocupa as autoridades, apesar de o débito do caudal do rio ter descido face aos valores acima do nível de segurança registados no sábado. A situação ainda deverá prolongar-se alguns dias, mas com tendência será para melhorar, com a ajuda da meteorologia que traz dias mais amenos - as previsões para o dia de Natal apontam, por exemplo, aos 20 graus de máxima em Faro, 19 no Porto e 18 em Lisboa, sem previsão de chuva.

"A situação do rio Mondego ainda nos preocupa e ainda nos preocupará nos próximos dias e nas próximas semanas", disse, em conferência de imprensa, Carlos Luís Tavares, Comandante Operacional Distrital de Coimbra (CODIS).

O comandante operacional afirmou que as previsões meteorológicas são "favoráveis" para os próximos dias, "sem registo de precipitação", o que permite, junto com a gestão na barragem da Aguieira, baixar os caudais no Açude-Ponte de Coimbra "para valores entre os 1.700 a 1.800 metros cúbicos por segundo (m3/s)", afirmou. No sábadoos valores chegaram aos 2.200 m3/s, acima do nível de segurança de 2.000 m3/s.

"Ainda assim, estes caudais são preocupantes, porque a pressão no dia de ontem [sábado] andou na ordem dos 2.200 m3/s e pode ter criado alguma fragilidade [nos diques] que temos de, diariamente, minuto a minuto, acompanhar, quer na margem direita quer na margem esquerda", enfatizou o CODIS.

A abertura no dique da margem direita do Mondego, que colapsou na tarde de sábado, tem "entre 50 a 100 metros", informou ainda Carlos Luís Tavares.

"Aquilo que prevíamos veio a acontecer, com o colapso de uma das margens, felizmente foi a margem direita [em que a água do rio corre para os campos agrícolas] e não a margem esquerda, que envolveria muito mais gente [por estar mais perto de povoações, localizadas entre Coimbra e Montemor-o-Velho]", declarou.

Ao longo da madrugada e manhã deste domingo, o nível das águas no vale central do Mondego tem vindo gradualmente a subir, atingindo mais de um metro de altura num dos acessos à vila de Montemor-o-Velho, onde se situam as vias de acesso ao Centro Naútico e povoação de Alfarelos, e a nova ponte das Lavandeiras, estrutura que substituiu uma outra, destruída nas cheias de 2001.

Carlos Luís Tavares frisou que, além da margem esquerda, a preocupação das autoridades incide também sobre a zona próxima a Montemor-o-Velho, na margem direita - onde a água passa, por um sistema de sifão, para o chamado rio Velho ou leito abandonado, por onde o Mondego corria antes das obras de regularização realizadas no final da década de 1970 - e onde se situa, igualmente, o leito periférico direito, que traz água das zonas a montante e corre paralelo à estrada nacional 111.

Nas cheias de 2001, a rotura dos diques do leito periférico direito destruiu a ponte das Lavandeiras e inundou a vila de Montemor-o-Velho e a povoação de Ereira.

Emílio Torrão, presidente da Câmara de Montemor-o-Velho, afirmou, por seu turno, que, com a diminuição do caudal do Mondego, "a pressão diminui" sobre as populações da margem esquerda, mas, na margem direita, as populações de Montemor-o-Velho e Ereira "têm de estar preparadas para uma cheia", frisando que na margem direita, a "situação é altamente preocupante".

Cerca de 200 pessoas do concelho de Montemor-o-Velho que foram retiradas previamente de casa, por questões de segurança, mantêm-se ainda acolhidas em instituições das localidades de Pereira, Formoselha e Santo Varão, a exemplo de outras 12 do concelho de Soure.

Entretanto, a autarquia de Coimbra indicou que a população das localidades Bencanta e Ameal, na margem esquerda do Mondego já "podem regressar às habitações" de onde tinham sido aconselhadas a sair no sábado. São cerca de 80 pessoas que já podem regressar agora às suas casas.

Céu limpo ou pouco nublado para o Natal

Até ao final deste domingo ainda há precipitação fraca no Norte e Centro, mas a intensidade do vento diminui significativamente e a partir desta segunda-feira, e até ao fim-de-semana, as condições meteorológicas trazem céu pouco nublado, temporariamente muito nublado nas regiões Norte e Centro no final do dia de Natal e na quinta-feira, com a possibilidade de precipitação fraca nesses dias.

Existem ainda condições para formação de neblina ou nevoeiro matinal - que poderão ser persistentes em alguns locais - e o vento será, em geral, fraco.

Neste quadro relativamente tranquilo só destoa a agitação marítima que se manterá elevada pelo menos até ao meio da manhã desta segunda-feira, mantendo-se nesta altura as zonas costeiras dos distritos de Coimbra, Aveiro, Porto, Braga e Viana do Castelo com aviso laranja, o segundo mais grave de uma escala de quatro.

Já a Madeira, encontra-se sob a ​​​​​​influência de um anticiclone localizado na região entre o norte de África e Portugal continental, que deverá enfraquecer no dia de Natal e na quinta-feira, permitindo a aproximação e passagem de uma superfície frontal fria, com a possibilidade de ocorrência de precipitação nesses dias.

Nos Açores, pelo contrário, as previsões do IPMA apontam para dias "de inverno rigoroso" para a semana que entra, com chuva e vento devido à passagem de uma depressão ainda sem nome no território do arquipélago.

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