Menino português morre devido a disparo acidental em Espanha

A criança, de 11 anos, estava a brincar com o irmão mais novo quando ocorreu o disparo acidental na noite de quarta-feira. O menor estava de férias com a família em Coín, na província de Málaga.

Um menino português, de 11 anos, morreu na noite de quarta-feira após um disparo acidental de uma espingarda de ar comprimido em Coín, na província de Málaga, Espanha. O presidente da autarquia de Coín, Francisco Santos, disse à agência EFE que o menor estava a brincar com o irmão, de oito anos, quando a espingarda disparou.

O jornal ABC de Sevilha avança que o serviço de emergência recebeu várias chamadas, sendo que a primeira ocorreu pouco antes da 22:50. Na chamada telefónica pedia-se assistência para um menino que tinha sido baleado no peito. Os dois irmãos estariam a brincar com a espingarda juntamente com outras crianças quando ocorreu o disparo que as autoridades acreditam ter sido acidental.

Quando chegou ao local, a equipa de emergência ainda efetuou manobras de reanimação ao menor, mas sem sucesso. No local, estiveram também elementos da Guardia Civil e a polícia local.

De acordo com La Opinión de Málaga , o proprietário da espingarda de ar comprimido foi detido e está acusado de homicídio por negligência. O jornal escreve que apesar de ter sido um disparo acidental, o homem é considerado responsável por não ter retirado a arma do alcance das crianças. Depois de ter sido ouvido pelas autoridades, o homem foi libertado e aguarda as conclusões da investigação.

Câmara de Coín decreta um dia de luto oficial

Francisco Santos explicou à publicação que as crianças pertencem a uma família portuguesa que passava as férias da Páscoa em casa de uns amigos e que tudo terá acontecido enquanto decorria uma procissão no centro do município. O autarca adiantou que chegada da ambulância causou algum alarme entre a população que assistia às cerimónias pascais.

A autarquia de Coín decretou um dia de luto oficial após a morte do menino português.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...