"Ato de altruismo". Máscaras devem ser usadas em supermercados, farmácias e transportes

O Ministério da Saúde voltou a mudar as orientações para o uso de máscaras: desta vez aconselha a usar em espaços fechados, como supermercados e farmácias. Especialistas vinham lançando o alerta, e pareceres de peritos assim o indicavam também.

A ministra da Saúde anunciou esta manhã, durante a conferência de imprensa destinado a balanço epidemiológico, que após terem sido analisados vários pareceres emitidos por entidades portuguesas decidiu que o uso de máscaras se deve estender à comunidade, mas apenas em situações em que tenham necessidade de frequentar espaços fechados, nomeadamente supermercados, farmácias, transportes públicos, etc. Marta Temido alertou que estamos em estado de emergência de confinamento e é assim que a população se deve manter, mas, em caso de haver necessidade de frequentarem tais espaços, deverão usar máscara.

Na norma publicada esta tarde no site oficial da Direção-Geral da saúde (DGS) é explicado que esta decisão foi tomada tendo em conta, o princípio da precaução em Saúde Pública - ou seja, tendo em conta que um infetado pode ser transmissor dois dias antes de ter sintomas, tendo em conta que há infetados que são assintomáticos,

Daí, e tendo em conta o principio da precaução, que uma semana depois de ter alargado o uso de máscaras a cuidadores informais, a bombeiros, funcionários da morgue, a trabalhadores de entregas, que as autoridades de saúde decidiram "alargar o uso de máscaras a todas as pessoas que permaneçam em espaços interiores fechados com múltiplas pessoas, como medida de proteção adicional ao distanciamento social, à higiene das mãos e à etiqueta respiratória".

Na conferência de Imprensa desta manhã, a ministra salientou, mais uma vez, que o uso de máscara tem regras e que estas devem ser conhecidas e respeitadas por toda a população. O mesmo está assinalado na norma da DGS. "A utilização de máscaras pela população implica o conhecimento e domínio das técnicas de colocação, uso e remoção, e que a sua utilização não pode, de forma alguma, conduzir à negligência de medidas fundamentais como o distanciamento social e a higiene das mãos".

Mais. No documento da DGS é lembrado que o uso de máscaras pela população é sobretudo, um gesto de altruísmo, "já que quem a utiliza não fica mais protegido, contribuindo, isso sim, para a proteção das outras pessoas, quando utilizada como medida de proteção adicional".

Desde o início da epidemia no país, completando esta semana a sétima desde que foram registados os primeiros casos, que as autoridades de saúde têm vindo a defender que o uso de máscara pode dar uma falsa ideia de proteção. Aliás, este foi um dos argumentos usados pela Organização Mundial de Saúde e pelo Centro de Prevenção e Controlo e Doenças Europeu para a tomada de posição de que o uso de máscara não deve ser generalizado. No entanto, passo a passo, e à medida que a doença avança, esta posição tem vindo a ser alterada, até por alguns países da UE.

Nesta altura, há vários países que já definiram como obrigatório o uso de máscara na comunidade. No mundo, há experiências na Ásia, como na Coreia do Sul, Japão, Taiwan, Hong-kon e Singapura, em que esta obrigatoriedade parece estar a dar os seus resultados no combate à covid-19. Na Europa, é frequentemente dado como exemplo as medidas adotadas pela República Checa, onde o uso de máscara pela comunidade também foi uma das medidas obrigatórias desde o início.

"O uso da máscara pela população não pode diminuir a sustentabilidade de acesso a máscaras pelos doentes e profissionais de saúde, que constituem os grupos prioritários para o uso de máscaras cirúrgicas".

Portugal tem seguido até agora as orientações da OMS e do ECDC. Este último publicou na semana passada um parecer técnico a alagar o uso de máscara. No entanto, a DGS alerta para o facto de apesar tal alteração, que estes dois organismos continuam a alertar que o uso de máscara é prioritário para os profissionais de saúde, e que "o uso da máscara pela população não pode diminuir a sustentabilidade de acesso a máscaras pelos doentes e profissionais de saúde, que constituem os grupos prioritários para o uso de máscaras cirúrgicas".

A norma da DGS explica ainda estar a ser definido, em conjunto com o Infarmed, ASAE, IPQ e o CITEVE e diversos peritos, um conjunto de especificações técnicas das máscaras não cirúrgicas, comunitárias ou de uso solidário.

Recorde-se que este aalrgamento por parte dos grupos que devem usar máscara, surge ao fim de dias de polémica, entre autoridades, especialistas e cientistas, sobre se o uso de máscaras deveria ou não ser generalizado. Não havendo consenso, a DGS solicitou mesmo um parecer ao Programa Nacional de Infeções à Resistência de Antimicrobianos, que acabava por indicar a necessidade de se equacionar o alargamento a quem frequenta espaços fechados.

Ao DN, fonte da DGS referiu que se esta medida não pretende alagar o uso sistemático e em todas as situações, mas apenas alertar para o uso desta medida sempre que haja necessidade de frequentar espaços confinados e frequentados por mais pessoas. Na quinta-feira da semana passada, surge então o relatório técnico do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), que aconselhava o mesmo.

A ministra alertou ainda para o facto de o uso de máscaras, até agora obrigatório para profissionais de saúde, trabalhadores de entregas, cuidadores, doentes crónicos e imunossuprimidos, não vem alterar nada dos procedimentos já usados e considerados essenciais para conter o vírus e a contaminação, como o lavar frequente das mãos.

Uma das questões levantadas por especialistas tem sido o facto de não haver este tipo de material disponível para venda ao público ou, onde há, serem praticados preços muito elevados. A denúncia tem sido feita pela Associação Nacional de Farmácias, relativamente às propostas que têm chegado às farmácias para compra deste material e com preços especulativos.

Apesar da recomendação do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, este organismo alerta que o uso das máscaras acarreta o risco de uma falsa sensação de segurança, podendo levar as pessoas a distraírem-se, por exemplo, da distância física. Além disso, frisa que é importante saber remover a máscara, para não aumentar o risco de contágio.

A questão tem levantado um impasse entre especialistas, um pouco por todo o mundo.

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