Marcelo falou com filho do piloto falecido. Costa lamenta morte e recomenda "cautela"

Presidente da República e primeiro-ministro reagiram à morte do piloto do Canadair que se despenhou este sábado durante combate a incêndio no Gerês.

O Presidente da República disse que já apresentou condolências à família do piloto português que morreu este sábado na sequência da queda de um 'Canadair' na zona do Lindoso, Ponte da Barca, quando combatia o incêndio que lavra no Gerês.

"Já tive ocasião de apresentar as minhas condolências, os meus sentimentos, ao Henrique, filho do piloto Jorge Jardim, que faleceu em circunstâncias dramáticas, ao serviço da comunidade, no combate ao fogo, que tudo indica que está a caminho de estar extinto", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado falava aos jornalistas no Aeroporto do Porto Santo, no arquipélago da Madeira, onde se encontrava à espera de embarcar rumo a Lisboa, após um curto período de férias.

"Infelizmente, é mais uma perda de uma vida nesta época e neste período, em que já perdemos quatro bombeiros", observou.

Marcelo Rebelo de Sousa revelou ter falado também como o filho do piloto espanhol, gravemente ferido no mesmo acidente.

"Fica aqui registado, com grande pesar meu, aquilo que é mais um triste acontecimento nesta época de fogos", declarou.

O avião despenhou-se, pelas 11:20, numa área do território espanhol, "a cerca de um, dois quilómetros da fronteira com Portugal", disse à Lusa fonte oficial da Proteção Civil.

O piloto, de nacionalidade portuguesa, de 65 anos, morreu no local, apesar das tentativas realizadas pelos elementos do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), enquanto o segundo piloto, de nacionalidade espanhola e de 39 anos, foi assistido no local e transportado em "estado grave" para o Hospital de Viana do Castelo, disse a mesma fonte.

No Porto Santo, Marcelo Rebelo de Sousa disse ter falado com o presidente da Câmara Municipal de Ponte da Barca, de quem recebeu a informação que o incêndio registou uma "evolução positiva" no território português, o que não acontece do lado espanhol.

Costa deixa recomendação a quem combate fogos

O primeiro-ministro lamentou hoje a morte do piloto Jorge Jardim no acidente de um avião de combate a incêndios, recomendando "especial cautela" a todos os que combatem fogos no país.

Num comunicado divulgado pelo seu gabinete, António Costa manifesta "profunda tristeza e consternação" pela morte de Jorge Jardim, cujo avião se despenhou pelas 11:20 quando reabastecia os depósitos de água junto à barragem do Alto do Lindoso, num acidente que fez também um ferido grave, o segundo piloto.

O primeiro-ministro deseja as melhoras ao piloto ferido e agradece aos "milhares de homens e mulheres que estão no combate aos incêndios".

"Este é um combate de todos, mas apelo a especial cautela: a primeira missão de quem protege os outros é proteger-se a si próprio", salienta.

António Costa apela ainda aos cidadãos para se comportarem de forma a evitar os incêndios em "dias de enorme severidade meteorológica, com risco de incêndio muito elevado".

"Temos que reduzir cada vez mais o número de ignições para que o dispositivo atue de forma cada vez mais eficaz", afirma o primeiro-ministro.

Numa nota de imprensa, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) avançou que o acidente ocorreu com um avião anfíbio pesado (Canadair CL215), do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais, do Centro de Meios Aéreos de Castelo Branco, que participava nas operações de combate a um incêndio que lavra no Parque Nacional da Peneda Gerês, freguesia e concelho do Lindoso, distrito de Viana do Castelo.

O avião despenhou-se num acidente junto à Barragem do Alto do Lindoso, na sequência de uma operação de 'scooping' (reabastecimento de depósito de água), acrescentou.

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