Sindicato contraria ministro. Reforço de inspetores do SEF "não é o maior de sempre"

Segundo Eduardo Cabrita, o SEF teve "um aumento superior a 30%", no entanto, o sindicato declara que para corresponder às necessidades aeroportuárias é necessário que o numero seja cinco vezes superiores.

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita anunciou o último reforço de inspetores para o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) como o "maior crescimento de sempre", mas segundo as contas do Sindicato, este é um dos concursos com menor número de admissões.

De acordo com uma tabela do Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização (SCIF) do SEF, a que o DN teve acesso, sobre as admissões nos últimos 30 anos, o concurso que gerou mais admissões foi o de 2003, que admitiu 249 novos inspetores.

Os 68 novos inspetores que começaram esta semana o seu estágio - e só vão estar em funções plenas daqui a um ano - são mesmo o terceiro menor número de admissões, no total de oito cursos já realizados.

O atual governo abriu dois concursos em 2017, este interno (apenas concorreram elementos de outras forças e serviços de segurança); e outro externo, no mesmo ano, para 100 inspetores. Esta última promessa feita por Eduardo Cabrita, que declarou iniciar um recrutamento externo de 100 inspetores ainda não foi cumprida, pois este curso ainda não começou.

Em 2017 e 2018, apenas 85 investigadores foram admitidos no SEF, mas provenientes de concursos lançados pelo anterior governo PSD/CDS, em 2014. Antes desta data, o SEF não recebia novos inspetores desde 2006 (11 anos) - ano em que houve a maior admissão de sempre, 249, de um concurso lançado em 2003, também pela coligação PSD/CDS,

De acordo com dados do Sindicato, nos próximos cinco anos, é esperado que 151 investigadores se reformem o que vai diminuir os recursos humanos disponíveis e deixar a força policial com um número menor do que o atual, que já é considerado insuficiente.

Apesar da garantia de Eduardo Cabrita de que os aeroportos "nunca tiveram tantos inspetores",Acácio Pereira, presidente do SCIF declara que o SEF não sente nenhum impacto destas admissões no dia-a-dia de trabalho. "O número de passageiros aumentou exponencialmente e não existe um acompanhamento para este número."

Este dirigente sindical sublinha que para o número de investigadores do SEF se apresentar suficiente teria de existir um aumento significativo e "cinco vezes superior".

O ministro da Administração Interna declarou esta segunda-feira que o SEF "é uma prioridade estratégica" do Governo e registou, nesta legislatura, um aumento superior a 30%" de funcionários, considerando tratar-se do "maior crescimento de sempre" em meios humanos.

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