Linha SNS24 não atendeu mais de metade das chamadas segunda-feira

60,4% dos telefonemas feitos para a linha de saúde SNS24 - considerada a porta de entrada de casos suspeitos de Covid-19 - não foram atendidos, esta segunda-feira.

Na central de atendimento da linha SNS 24 (808 24 24 24), os telefones tocaram 27 679 vezes esta segunda-feira (dia 9 de março). Foi o dia com mais procura da linha. No entanto, apenas 10 940 destas chamadas foram atendidas, segundo os dados do Portal da Transparência do SNS. Ou seja, 60,4% dos telefonemas ficaram sem resposta, quando em caso de manifestação de sintomas de Covid-19 (febre, tosse, dificuldades respiratórias) é para esta linha que se deve ligar, evitando a deslocação aos serviços de saúde.

Desde o inicio do mês que os constrangimentos do SNS24 têm sido denunciados por médicos e cidadãos, precisamente por falta de resposta. Mas a procura nunca foi tão elevada como esta segunda-feira, quando dispararam os telefonemas. E se a percentagem de chamadas não atendidas tem permanecido na casa dos 20%, ontem ascendeu aos 60%.

As dificuldades mantiveram-se esta manhã. Ao DN, uma mãe que teve de ficar em casa por o seu filho estar com sintomas gripais garantiu ter feito mais de dez chamadas para a linha, pressionada pela direção da escola que pretendia saber se existiria motivo para alarme. Foi a direção do estabelecimento de ensino, em Lisboa, que pediu à mãe para contactar as autoridades de saúde, não apenas por apresentar sintomas gripais como pelo facto de frequentar um hospital da Grande Lisboa devido a tratamentos semanais.

"A Linha de Saúde 24 está a funcionar, registando-se um normal aumento de procura", afirmou, esta manhã, o primeiro-ministro, no final de uma reunião de ministros. Embora, António Costa tenha também admitido os constrangimentos, assumindo que o 808 24 24 24 esteve "em baixo" durante seis minutos, esta terça-feira.

A promessa de reforço dos profissionais que trabalham na linha já foi feita, por várias vezes, pelo Governo e pela Direção-Geral da Saúde, uma vez que esta só estaria preparada para receber 10 mil chamadas diárias. Estes anúncios foram feitos sem que no entanto tenha sido esclarecido quantos enfermeiros e médicos deverão integrar a equipa e quando. O DN dirigiu esta pergunta ao ministério da Saúde, na semana passada, mas até ao momento não recebeu resposta.

Na primeira semana de março, o responsável pela linha - o presidente do Conselho de Administração dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde - foi afastado do cargo. Sobre a saída de Henrique Martins, a tutela esclareceu que já estava prevista, uma vez que o mandato da comissão de serviço tinha terminado a 31 de dezembro do ano passado e o "processo de nomeação de novo órgão de gestão decorreu desde então". O que não afastou as criticas da mudança na liderança numa altura tão critica.

Portugal tem 41 infetados pelo novo coronavírus, 375 casos suspeitos e há ainda 667 cidadãos em vigilância pelas autoridades de saúde.

"Atingimos picos nunca esperados"

Numa audição na comissão parlamentar de saúde no Parlamento, esta tarde, a diretora-geral da Saúde admitiu que a linha atingiu "picos nunca esperados". "É um facto que nós estávamos dimensionados para um determinado padrão de procura e que atingimos picos nunca esperados atingir", reconheceu Graça Freitas.

No entanto, garate também que a capacidade de resposta já aumentou nas últimas horas. "Durante esta noite e nos últimos dias já houve melhorias. Habitualmente nós conseguimos 200 chamadas em simultâneo na linha SNS24. Ontem conseguimos atender 500 chamadas em simultâneo e hoje já se conseguimos atender 1200 chamadas, sendo de que modo algum isto é uniforme nas 24 horas do dia", referiu.

A diretora-geral da saúde adiantou ainda que estão a ser tomadas medidas para agilizar o algoritmo de triagem e apelou a que quem está a ligar para a linha apenas para pedir informações, utilize outros canais, como o site da Direção-Geral da Saúde.

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