Jaime Marta Soares exige pedido de desculpas e substituição dos kits

Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses quer ainda que o Ministério faça um inquérito rigoroso para apurar responsabilidades da distribuição de golas antifumo com material inflamável ao abrigo do programa Aldeia Segura.

O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, defende que "a Autoridade Nacional de Proteção Civil devia ter imediatamente apresentado desculpas públicas" sobre a distribuição de golas antifumo com material inflamável, ao abrigo do programa Aldeia Segura, bem como "proceder à sua substituição".

"A autoridade foi negligente. É grave e inaceitável. Dizer que é só para sensibilizar é pior a emenda que o soneto, não deviam ter ido por aí. Não deviam ter dito isso", disse ao DN o responsável, lembrando que podia ter sido negligência grave caso alguém tivesse usado a gola, que é inflamável e em vez de de se salvar podia matar. "É grave e inaceitável".

O Jornal de Notícias escreve esta sexta-feira que 70 mil golas antifumo fabricadas com material inflamável e sem tratamento anticarbonização, que custaram 125 mil euros, foram entregues pela proteção civil no âmbito dos programas Aldeia Segura e Pessoas Seguras.

A Proteção Civil veio entretanto esclarecer, num comunicado, que os materiais distribuídos (entre os quais o chamado kit de emergência) "não são de combate a incêndios nem de proteção individual", mas de sensibilização de boas-práticas. "Trata-se sim de material de informação e sensibilização sobre como devem agir as populações em caso de incêndio, aumentando a resiliência dos aglomerados populacionais perante o risco de incêndio rural", lê-se no texto.

Além do pedido de desculpas da Proteção Civil, Marta Soares pede ainda que o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, use os elementos que tem ao seu dispor, nomeadamente a Inspeção Geral da Administração Interna, para fazer um "inquérito rigoroso para apurar o responsável porque a culpa não pode morrer solteira". E que o responsável "deve efetivamente pagar por isso".

Esta manhã, o ministro considerou "irresponsável e alarmista" a notícia e recusou-se a responder sobre o objetivo da distribuição destas golas com material inflamável, bem como o que as populações devem fazer com elas, remetendo para o esclarecimento já feito pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC). E sublinhou a importância do programa em curso em mais de 1600 aldeias do país, assegurando que a distribuição das golas antifumo não põe em causa nem o projeto nem a segurança das pessoas.

O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses fala numa "prática leviana".

"Aquilo não é para uma brincadeira, não é só para andar com aquilo às costas para brincar aos incêndios", defende. "É um kit que a pessoa que o utiliza pensa estar ali a salvação da sua vida, a sua salvaguarda", alega. "Se é um kit que foi distribuído para sensibilizar, tem que haver a substituição do artigo em causa para que as pessoas o tenham à sua disposição, porque se não isso foi andar a gastar dinheiro", conclui.

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