Vai precisar de ir a um hospital? Adivinham-se períodos "caóticos"

Redução de horário dos profissionais de saúde, sem contratações, pode criar problemas de resposta a quem recorrer aos hospitais

Os enfermeiros temem "um período caótico" e "de rutura" na maioria dos hospitais a partir deste domingo (1 de julho), devido à passagem de milhares de profissionais para as 35 horas de trabalho semanais sem a concretização das contratações pedidas pelas instituições. A situação torna-se mais grave por acontecer no início do período de férias, alerta a Ordem dos Enfermeiros e o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), avisando que o Algarve e o interior do país serão os mais prejudicados.

Também o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, já alertou para o facto de que a passagem do horário dos profissionais de saúde para as 35 horas semanais sem novas contratações vai reduzir a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde, principalmente nas regiões mais carenciadas e periféricas. Apesar das consequências desta mudança "ainda serem imprevisíveis", o bastonário da Ordem dos Médicos prevê "uma situação mais ou menos caótica", porque acontece no início do período de férias, em que há menos pessoas a trabalhar, e a "capacidade de resposta dos serviços é reduzida".

Já o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, Alexandre Lourenço, disse à Agência Lusa que "o impacto a partir de 1 de julho equivale a 12,5% dos contratos individuais de trabalho", sendo que contratar 2000 profissionais, como o governo já garantiu ir fazer, "fica bastante aquém do impacto".

Também em declarações à agência Lusa, o presidente do Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica, Luís Dupont, lamentou o facto de o Governo não ter feito atempadamente as contratações necessárias para ultrapassar o impacto desta medida nas instituições e antecipou as suas consequências.

"O que vai ficar em causa é provavelmente um aumento de listas de espera" para a realização de exames e um atraso na entrega de resultados, por exemplo das análises clínicas, mas nunca pondo em causa as "necessidades impreteríveis dos serviços de urgência", disse o dirigente sindical.

A passagem dos trabalhadores para as 35 horas semanais, em vez das 40 atuais, sem ainda terem sido feitas novas contratações, irá agravar o "défice de trabalhadores" já existente e que leva a que, "todos os dias, todas as semanas, todos os meses, muitos profissionais, principalmente os que trabalham por turnos", tenham de fazer "horas a mais, muitas delas não reembolsadas", disse o sindicalista, advertindo que este "número vai aumentar".

Agravar em período de férias

A situação torna-se mais grave por acontecer no início do período de férias, alerta a Ordem dos Enfermeiros e o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), avisando que o Algarve e o interior do país serão os mais prejudicados.

"Estava previsto que houvesse, nestes primeiros seis meses, um processo ou um plano de contratação de enfermeiros para que, chegados a esta hora, a transição para as 35 horas pudesse ser feita de uma forma o mais calma possível", mas isso não aconteceu, lamentou a dirigente do SEP Guadalupe Simões.

Não tendo sido contratados, até ao momento, os cerca de 2.000 enfermeiros necessários para compensar a redução das 40 para as 35 horas semanais, "o que se avizinha é um período caótico e mesmo de rutura na maioria das instituições, já para a semana", alertou.

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