"São uns canalhas." Frei Fernando Ventura revoltado com obras adiadas em pediatria oncológica

Ministério das Finanças adiou obras para que fossem avaliadas por uma comissão de estudo. Frei revolta-se: "São uns canalhas, quem quer que seja que se atreva a brincar com as crianças com cancro"

Frei Fernando Ventura soube esta sexta-feira que as obras prometidas e anunciadas em julho pelo ministro da saúde para a renovação do serviço de pediatria oncológica do Hospital de São João (HSJ), no Porto, foram adiadas. Mais que o Ministério das Finanças anunciaram que as mesmas se encontram entregues a uma comissão de estudo, para avaliação.

Um adiamento que revoltou o religioso, teólogo e biblista, e o levou a escrever uma carta ao ministro das Finanças, Mário Centeno, e que partilhou no Facebook. "As crianças da oncologia do HSJ ainda não votam, nem fazem greves, nem paralisam escolas, nem hospitais, nem serviços públicos, mas não estão sozinhas. Acredite que não estão. Desejo-lhe um bom regresso ao trabalho", escreveu.

Ao DN, Fernando Ventura explica que está no IPO do Porto a substituir o capelão que aí "vive" o ano inteiro. "Há três anos que fico lá nas minhas férias", mas foram as condições dos vizinhos que o deixaram revoltado. "Acho uma vergonha uma sociedade que não cuida das suas crianças e dos seus velhos. As franjas não produtivas da sociedade são esquecidas e isso é uma atitude terceiro mundista."

Na quinta-feira foi notícia mais um adiamento nas obras que já tinham sido prometidas. Em julho, o ministro da Saúde garantiu já haver verbas aprovadas para o projeto. Mas um mês depois, o Ministério das Finanças anuncia "um estudo de reavaliação da rede hospitalar pediátrica existente na zona metropolitana do Grande Porto que considerasse o parofundamento de sinergias".

"O ministro das finanças permite-se desdizer os outros ministros. O anúncio deste estudo é um empurrar com a barriga", crítica Fernando Ventura, acrescentando: "Os pais não se calam e muito bem. Sobretudo quando há promessas atrás de promessas. São uns canalhas, quem quer que seja que se atreva a brincar com crianças com cancro."

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

A "taxa Robles" e a desqualificação do debate político

A proposta de criação de uma taxa sobre especulação imobiliária, anunciada pelo Bloco de Esquerda (BE) a 9 de setembro, animou os jornais, televisões e redes sociais durante vários dias. Agora que as atenções já se viraram para outras polémicas, vale a pena revistar o debate público sobre a "taxa Robles" e constatar o que ela nos diz sobre a desqualificação da disputa partidária em Portugal nos dias que correm.

Premium

Rosália Amorim

Crédito: teremos aprendido a lição?

Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.