São José: ministro promete 54 médicos em resposta a demissões

Presidente do Centro Hospitalar de Lisboa Central adianta ao DN que espera ter as novas contratações já no terreno até ao final do verão

O centro hospitalar do qual fazem parte São José e a Maternidade Alfredo da Costa vai receber 54 médicos no próximo concurso para recém-especialistas. A garantia foi dada na quinta-feira pelo próprio ministro da Saúde, numa reunião com o conselho de administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) e os chefes de equipa que apresentaram demissão em protesto contra a falta de condições de segurança da urgência de São José.


Às 54 vagas no concurso, que a presidente do centro hospitalar espera que arranque em breve, vão juntar-se nos próximos tempos mais oito a 13 profissionais em contrato individual de trabalho, informa Ana Escoval ao DN. "Espero ter estes 62 a 67 profissionais a trabalhar até ao final do verão, embora muitos deles já estão connosco no seguimento do internato".

O rejuvenescimento da carreira, que a lei impõe que seja por concurso, é uma missão imperiosa


Declarações que confirmam informações recolhidas pelo DN, com fontes do setor a relatarem pedidos urgentes de currículos a jovens médicos do centro hospitalar, no rescaldo da visita do ministro Adalberto Campos Fernandes a São José. Reunião com resultados elogiados por Ana Escoval. "A visita serviu dois propósitos: primeiro, foi uma conversa interessante, onde os profissionais puderam expor o que os preocupa. Foi uma atitude de proximidade do ministro, que se juntou a nós mal aterrou em Lisboa vindo da Grécia; segundo, serviu para dar conta das vagas que nos serão atribuídas no próximo concurso".

Entre 1 de julho de 2017 e 1 de julho de 2018 entraram 71 médicos com contratos individuais de trabalho. E nesse período saíram 68 médicos do centro hospitalar


Questionada sobre se era este o número de recém-especialistas desejado pelo CHLC, Ana Escoval admite que esperava entre 50 a 60 vagas, já que o centro hospitalar formou 80 profissionais, mas alguns deles foram através de protocolos e voltaram aos hospitais de origem. "O centro hospitalar tem feito um esforço para contratar profissionais. Entre 1 de julho de 2017 e 1 de julho de 2018 contratámos 71 médicos com contratos individuais de trabalho. E nesse período saíram 68 médicos".


Mas é suficiente repor apenas o número de profissionais que sai? Não seria necessário pensar em mais entradas? Ana Escoval responde que só o rejuvenescimento do quadro já é uma boa notícia. "Conseguindo repor o quadro de profissionais e injetando pessoas mais novas conseguimos resolver o problema das urgências. O rejuvenescimento da carreira, que a lei impõe que seja por concurso, é uma missão imperiosa".

Numa reação ao DN, o bastonário dos médicos, que também visitou São José está semana, sublinha que os problemas no hospital não podem esperar por concursos. "Não podem esperar um mês ou um ano, porque nunca sabemos quando são abertos os concursos. Têm de ser resolvidos já", frisa Miguel Guimarães.

Férias agravam problemas


Os chefes de equipa de medicina interna e cirurgia geral do hospital de S. José apresentaram a demissão há uma semana por considerarem que as condições da urgência não têm níveis de segurança aceitáveis. Na carta que contém os pedidos de demissão, os profissionais apontam para a consecutiva degradação da assistência médica prestada no serviço de urgência do S. José, considerando que se chegou a uma "situação de emergência", que impõe "um plano de catástrofe".


Ana Escoval garante ao DN que os chefes de equipa continuam ao serviço, elogiando "a atitude digna dos profissionais, quer os de São José como os da Maternidade Alfredo da Costa", que tomaram atitude semelhante em protesto contra a falta de profissionais e o encerramento de camas. "Eu compreendo essas tomadas de posição e admito alguns dos problemas, que que são agravados em altura de férias e estão a ser resolvidos", reconhece Ana Escoval, que ainda assim faz questão de passar uma mensagem de calma aos utentes, garantido que a segurança dos serviços não está posta em causa.

Ler mais