Autarca de Castelo Branco acusado de criar associação inexistente diz-se vítima de ataque pessoal

Em causa está a criação da ONGD L'Atitudes que nunca foi oficialmente reconhecida, mas que recebeu pelo menos 350 mil euros de fundos públicos.

O presidente da Câmara de Castelo Branco, Luís Correia, afirmou esta terça-feira estar-se a assistir a uma tentativa de descredibilização, ofensa e ataque pessoal no caso de uma organização não-governamental para o desenvolvimento (ONGD) criada por autarcas do PS.

Em causa está uma notícia publicada pelo Público, segundo a qual o anterior e o atual presidente da Câmara de Castelo Branco, respetivamente Joaquim Morão e Luís Correia, juntamente com outros autarcas socialistas da região, criaram em 2010 uma ONGD que nunca foi reconhecida oficialmente e da qual não se conhece qualquer atividade.

Apesar disso, a notícia avança que a "L'Atitudes - Associação para a Dinamização de Projetos e Redes Globais de Cooperação e Desenvolvimento - ONGD" recebeu pelo menos 350 mil euros de fundos públicos para instalar a sua sede num edifício camarário.

"Aquilo a que estamos a assistir é a uma ação concertada de tentativa de descredibilização, de ataque pessoal, de ofensa à minha pessoa e à minha família. Digo basta e garanto também que, a partir deste momento e com efeitos imediatos, tomarei todas as medidas legais ao meu dispor e alcance para por um ponto final nesta campanha de difamação com a qual me tentam atingir e paralisar, mas que põe também em causa o bom nome dos albicastrenses e do nosso município", afirmou Luís Correia.

O autarca, que falava durante uma conferência de imprensa sobre o caso da associação L'Atitudes, esclareceu que não criou nem participou na criação da associação e, ao mesmo tempo, sublinhou que em nenhum momento ou circunstância põe em causa "a boa fé" que esteve na génese da associação.

"Considero imperioso esclarecer, sem margem para qualquer dúvida e como comprovável por todos ou quaisquer documentos, que não participei nem direta, nem indiretamente, na criação da L'Atitudes", sustentou.

Luís Correia sublinhou que ao longo das últimas semanas alguns órgãos de comunicação social têm publicado e reproduzido notícias que procuram ligá-lo à criação e funcionamento desta associação responsável direta pela recuperação de um edifício devoluto, propriedade do município de Castelo Branco.

"Todas as notícias que afirmem ou reproduzam a ideia de que o atual presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco criou a associação L'Atitudes são falsas e estão a induzir deliberadamente os leitores em erro", frisou. Explicou ainda que a associação foi criada em 2010 e que só em 2013, três anos após a sua criação, entrou como associado para a L'Atitudes. Adiantou que assumiu "apenas e só" o cargo de presidente do Conselho Fiscal.

"Não fui responsável nem participei na tomada de qualquer decisão no âmbito do funcionamento ou ação da associação, nomeadamente quanto à apresentação da candidatura para obtenção de fundos comunitários para recuperação do imóvel", disse.

O autarca realçou ainda que a sua participação nas votações na câmara de Castelo Branco em que foi decidido a favor das solicitações da L'Atitudes, seja na disponibilização do edifício do município em regime de comodato, seja na atribuição de apoio financeiro para a comparticipação das obras de recuperação do edifício, não pode ser posta em causa.

"Em primeiro lugar, porque, como membro do executivo camarário, era do interesse do município, logo do interesse público, a recuperação do edifício, que é basicamente a questão que está em apreço. Em segundo lugar, porque o facto de ser associado da L'Atitudes, com funções como presidente do Conselho Fiscal e não da direção, não poderia ser óbice à prossecução do interesse público", explicou.

Neste âmbito, o autarca entende e reafirma que não só não existiu qualquer conflito de interesses, como defendeu que o subsídio aprovado por unanimidade pelo executivo camarário "não pode ser entendido senão como uma medida de apoio à valorização e recuperação do património da Câmara de Castelo Branco.

"Perante os mais recentes acontecimentos noticiosos, não posso concluir senão que estamos perante uma campanha orquestrada com o único propósito de me atingir, custe o que custar, sem olhar aos factos. Uma campanha política deturpada e perturbada, porque não só se ignora os factos, como não se hesita em construí-los ou mondá-los para manter o assunto na agenda mediática", concluiu.

(Notícia retificada com novo título)

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