Portugal em quarto lugar na apreensão de haxixe na Europa

A canábis é a droga "mais amplamente utilizada" na Europa. Na UE, registaram-se mais de 760 mil apreensões de produtos de canábis.

Portugal foi o quarto país europeu com maior quantidade de haxixe apreendida em 2017, segundo um relatório internacional divulgado esta terça-feira, que alerta para os perigos de uma fraca regulação da canábis para fins medicinais.

A canábis mantém-se como a "mais amplamente utilizada" droga na Europa, correspondendo a 38% do mercado de drogas ilícitas na União Europeia (UE), refere o relatório do Conselho Internacional de Fiscalização de Estupefacientes.

Dados de 2016 indicam que foram realizadas na UE mais de 760 mil apreensões de produtos de canábis, sendo 420 mil de canábis em erva, 22 mil apreensões de plantas e mais de 300 mil de resina de canábis (haxixe).

Portugal surge como o quarto país da Europa que em 2017 apreendeu maior quantidade de haxixe, com 14,8 toneladas.

A Espanha, como principal ponto de entrada para a resina de canábis produzida em Marrocos, surge como o país com mais produto apreendido, com 333 toneladas, seguido de França, com 57 toneladas e de Itália com 18,7 toneladas.

Depois do quarto lugar de Portugal, surge a Grécia, com 6,3 toneladas e o Reino Unido 6,3 toneladas. Todos os restantes países reportaram menos de três toneladas de haxixe apreendido em 2017, incluindo Suécia, Noruega, Polónia ou Rússia.

No relatório hoje divulgado, o Conselho Internacional de Fiscalização de Estupefacientes avisa que programas de canábis para uso terapêutico mal regulados podem levar a um aumento do consumo de canábis para fins recreativos.

O organismo das Nações Unidas manifesta ainda a sua preocupação com a criação de legislação sobre uso não medicinal de canábis que é contrária às convenções de controlo de droga e pode pôr em risco a saúde pública.

Para o Conselho Internacional, a perceção do risco da canábis pode ser suavizada por programas de canábis para fins terapêuticos que não sejam suficientemente regulados, podendo contribuir para a legalização do uso da canábis.

O relatório alerta que uma fraca regulação da canábis para fins terapêuticos pode ainda "reduzir a preocupação do público com o perigo associado ao uso da canábis".

O documento indica que "a legalização da canábis para fins recreativos (...) representa um desafio significativo para a saúde e bem-estar, particularmente entre os mais jovens".

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