Polícias e militares rumam de noite ao Algarve. Stocks estão abaixo da média nacional

Quarta-feira estarão ao serviço menos polícias e militares, depois de terem estado ao serviço 10 equipas para colmatar falhas nos serviços mínimos.

O ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, anunciou ao final da tarde desta terça-feira que o stock de combustíveis na região do Algarve continua abaixo da média nacional e por isso será feito um terceiro turno ainda esta noite, com o recurso às forças de segurança e forças armadas.

Assim, partirão de Sines para o Algarve oito equipas em oito camiões (poderiam ter ido até um máximo de 10) para "repor stocks porque a melhoria não foi significativa" naquela região. De férias, o Presidente da República confirmou que viu em Portimão, onde se encontra, muitas filas de carros para abastecer.

O ministro do Ambiente e Transição Energética disse também que amanhã, quarta-feira, à primeira hora, estarão de prontidão menos polícias e militares, já que a sua intervenção foi mais intensiva nos últimos dois dias, em função da requisição civil acionada pelo governo. Matos Fernandes anunciou também que 14 camionistas não cumpriram a requisição civil neste segundo dia de greve, sendo que 11 já foram notificados.

"O dia de hoje correu sem sobressaltos. Os serviços mínimos foram cumpridos em relação à requisição civil destinada a quatro serviços/produtos em concreto. Às 18h de hoje, por comparação com ontem, os números da rede de emergência de postos de abastecimento (REPA) são melhores", atestou Matos Fernandes. Na segunda-feira, 38% bombas da REPA tinham gasolina e 46% gasóleo, enquanto hoje estas percentagens ascenderam, respetivamente, a 51% e 49%.

"São valores aceitáveis", disse Matos Fernandes.

Ao final do primeiro dia de greve, o Governo avançou para uma requisição civil depois do incumprimento dos serviços mínimos ter afetado o abastecimento de combustível à rede de emergência de postos de combustível, o sul do país, a partir de Sines, os aeroportos de Lisboa e Faro e ainda as Unidades Autónomas de Gás (UAG) no Norte, no Interior e também no Algarve.

Apesar do terceiro turno agendado para esta noite, o ministro afirmou que no Algarve também se registou uma melhoria: de uma capacidade média de gasolina na região de 22% passou-se hoje para 27%; e no gasóleo subiu de 23% para 29%.

"Foi uma melhoria generalizada mas não significativa. No Algarve, o stock de gasóleo e gasolina assumiu um número preocupante, abaixo da média nacional. Foi um abastecimento de um dia normal, mas o consumo foi mais elevado do que nos últimos dias, daí a necessidade de um 3.º turno com oito camiões para que a manhã de amanhã seja melhor que hoje", disse ainda.

Sobre as bombas REPA, obrigadas a estarem abertas 24 horas por dia, com maiores custos, o ministro defendeu: "Toda a economia e todas as famílias estão a ser prejudicadas com greve. Os postos da REPA têm mais custos, mas têm também uma vantagem enorme do ponto de vista comercial por pertencerem à REPA. Estão mais protegidos".

Em relação ao aeroporto de Lisboa, Matos Fernandes assegurou que foram feitas esta terça-feira 119 cargas, quando no dia anterior se ficaram apenas pelas 44 cargas. "Hoje foram feitas as cargas normais e o aeroporto de Lisboa está a 54,5%, estando ainda em avaliação a necessidade de efetuar também aqui um terceiro turno. O aeroporto de Faro está a 94%".

Quanto ao recurso às forças de segurança e forças armadas, no total foram requisitados para cumprir os serviços 200 elementos, sendo que apenas 10 equipas tiveram que atuar, quatro destas das forças armadas e seis da GNR.

Da parte das empresas transportadoras, o Governo recebeu a informação que 14 trabalhadores não cumpriram a requisição civil, sendo que 11 já foram notificados e três continuam por localizar. "Foram formalmente comunicadas à GNR as seguintes falhas: três do distrito de Faro, quatro do distrito de Lisboa e três do distrito de Setúbal". Já à PSP "foram formalizadas quatro queixas, uma no distrito de Setúbal" e "as outras três estão ainda por localizar". De acordo com o ministro, "todos alegaram baixa médica".

De acordo com o ministro, quem está obrigado a cumprir os serviços mínimos são os trabalhadores que não fazem greve, os que estão na escala de serviço e também os que estão em greve. Matos Fernandes reconhece o direito a um horário normal de oito horas de trabalho diário, mas lembra que se trata de uma profissão com flexibilidade de horário no dia-a-dia e nas tarefas, até "60 horas por semana".

Tendo em conta o esforço adicional nos turnos desta noite, o ministro anunciou que amanhã, quarta-feira, terceiro dia de greve, serão mobilizados menos polícias e militares, sendo depois feito um balanço a meio da tarde para avaliar falhas e mobilizar forças de segurança e forças armadas para o final do dia e noite, para colmatar os serviços que falharem durante o dia

Matos Fernandes acrescentou ainda que o seu ministério não efetuou nenhum convite aos sindicatos em greve para regressarem à mesa das negociações. Já com a ANTRAM, o trabalho tem sido mais próximo. "Queremos que a greve acabe depressa, que patrões e sindicatos cheguem a acordo", disse o ministro.

Bárbara Silva é jornalista do Dinheiro Vivo

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