Monchique: plano de intervenção florestal por aprovar há sete meses

Presidente da Associação dos Produtores Florestais do Barlavento Algarvio (Aspaflobal), Emílio Vidigal, diz que está há sete meses à espera da aprovação de um projeto estruturante para a Zona de Intervenção Florestal de Perna Negra, em Monchique, onde começou precisamente o incêndio da passada sexta-feira

O responsável da Aspaflobal queixa-se, em declarações ao Público, que o Instituto de Conservação da Natureza (ICNF) tem atrasado o processo por questões burocráticas, como, por exemplo, a de saber se a associação tem ou não dívidas à Segurança Social.

O plano apresentado prevê, entre outras coisas, a criação de pontos de água e caminhos de acesso para combate a fogos. O incêndio em Monchique já destruiu cerca de 20 mil hectares e esta terça-feira continua a ser combatido por 1198 operacionais.

"Há mais de um ano que todos sabem que Monchique estava no topo da lista das zonas de maior risco de incêndios florestais. Há mais de um ano que todos sabem que a serra de Monchique era a próxima a arder. Há cerca de sete meses que enviámos para o ICNF um plano estruturante para a Zona de Intervenção Florestal de Perna Negra e nada foi feito", refere àquele jornal o líder da Aspaflobal, que representa cerca de 500 produtores florestais da zona do Barlavento algarvio.

"Só nos fazem perguntas sobre dados que já têm e que nós vamos repetindo nas respostas. Dois dias antes destes incêndios enviaram-nos um conjunto de 30 perguntas, como, por exemplo, sobre estatutos da associação ou pediam garantias de que não temos dívidas à Segurança Social. O comprovativo de que não temos dívidas caduca a cada três meses, mas como o processo não avança no ICNF, de três em três meses, este pede novo comprovativo. É um processo burocrático estúpido e sem fim", acrescenta Vidigal, confessando-se revoltado com tudo o que se está a passar.

Apesar de tudo, o presidente da Aspaflobal admite, nas mesmas declarações ao Público, que não pode garantir que se aquele plano já tivesse sido aprovado isso seria suficiente para impedir o alastramento do incêndio deste fim de semana em Monchique. Mas "o combate teria sido mais efetivo", sublinha, com "certeza".

O incêndio de Monchique, distrito de Faro, deflagrou na passada sexta-feira, em Perna Negra, já provocou pelo menos 29 feridos e obrigou à evacuação de diversos aglomerados populacionais e uma unidade hoteleira.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.