Governo prolonga estado de alerta até dia 10 de setembro

(Em atualização) Albergaria-a-Velha, Porto e Águeda foram nesta sexta-feira as áreas mais difíceis no combate ao fogo, mas houve mais de 150 novos focos em todo o território desde a meia-noite até às 20 horas. Depois de dezenas de pessoas serem retiradas de vários locais em Albergaria-a-Velha, o incêndio na zona está finalmente "em resolução". Mas após as 20 horas surgiram cinco novos focos de incêndio no país.

Caiu a noite mas os fogos continuam a surgir: depois de terem chegado a ser apenas três, pelas 20 horas, os focos classificados como "em curso", são agora nove.

Depois de um dia em que foram contabilizados mais de 150 novos incêndios desde a meia-noite até às 20 horas, parecia finalmente que, com a descida das temperaturas, a situação estava a acalmar. Às 20.21 horas, o site da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) contabilizava apenas quatro incêndios em curso de um total de 64, com 53 "em conclusão" e sete em resolução; mas 30 minutos depois havia cinco novos focos em várias zonas do país, num total de nove "em curso": Cantanhede e Figueira da Foz (Coimbra); Vila Nova de Gaia, Maia, Lousada e Santo Tirso (Porto); Águeda e Estarreja (Aveiro); Almodôvar (Beja).

O mais recente, em Alhadas, Figueira da Foz, tem as 20.38 como hora de referência.

O governo prolongou entretanto a Declaração de Situação de Alerta até às 23.59 horas de 10 de setembro, fundamentando este prolongamento na previsão das condições meteorológicas para o continente, no facto de o índice de risco de incêndio florestal ser considerado elevado, muito elevado ou máximo nos próximos cinco dias. E o presidente da República, em declarações aos jornalistas, desejou que "o período que vai até domingo passe depressa."

Os distritos do Porto e Aveiro foram durante todo o dia os mais problemáticos em termos de intensidade e duração dos fogos. Mas é em Aveiro que se tem verificado a maior concentração de meios humanos, veículos e meios aéreos.

Cinco incêndios estiveram ativos durante o dia de hoje nos concelhos de Águeda e Albergaria-a-Velha. Em declarações à Lusa, no posto de operações em Albergaria-a-Velha, o presidente da autarquia, António Loureiro, confirmou que durante a tarde de quinta-feira foram retiradas 19 crianças e dois adultos da Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) Aconchego, situada numa das principais "artérias" de Albergaria-a-Velha. Ainda segundo o autarca, foram também retirados vários moradores da localidade da Cova do Fontão e de São João de Loure, sendo que quatro pessoas acabaram por "ficar" nas suas casas. À Lusa, o autarca admitiu ainda não saber qual o número preciso de habitações evacuadas nas duas localidades. Esta manhã foi ainda evacuado um acampamento, no qual estavam quatro bebés, 18 crianças e quatro mães.

A conta de Twitter Vost Portugal partilhou uma imagem impressionante da coluna de fumo do incêndio de Albergaria-a-Velha, com 250 quilómetros, captada pelo satélite Sentinel.

O presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha considera que naquele concelho a situação se mantém "complexa" devido à mudança do vento. "O cenário é complicado e temos de ter em consideração que este incêndio tem um perímetro de dois mil hectares, o que, para fazer o rescaldo e todo o controlo, é de uma complexidade enorme", disse, adiantando prever um "cenário complicado para os próximos dois dias". Deu ainda conta de "uma situação de extrema aflição vivida cerca das 12:30, na localidade de Fontão, devido à mudança de vento" que fez com que o fogo "tocasse numa das casas", mas "felizmente foi apenas na marquise".

Os vários incêndios hoje a lavrar em Águeda e Albergaria-a-Velha obrigaram ao corte de trânsito na autoestrada 25 (A25) e o Itinerário Complementar 2 (IC2), já reabertos, e na A1, ainda encerrada. Também devido aos incêndios, as câmaras municipais de Águeda e Albergaria-a-Velha acionaram os respetivos planos municipais de emergência, o que permite aos respetivos presidentes acionar e mobilizar recursos, nomeadamente máquinas e equipamentos julgados úteis para auxiliar no combate às chamas e na proteção de pessoas e bens.

"Neste momento já temos o IC2 e a A25 reabertos. O incêndio da Veiga (Águeda) já está dado como dominado, mas não extinto, continuamos em trabalhos no incêndio de Paus (Albergaria-a-Velha), que é o que está a implicar mais meios e maior preocupação", afirmou à Lusa, pelas 13:20, o comandante distrital de proteção civil, António Ribeiro.

António Ribeiro explicou, a partir do teatro de operações, que está a ser dada maior atenção ao incêndio de Paus, que deflagrou às 11:28 de quinta-feira e que "tem progredido para a parte baixa do concelho de Albergaria-a-Velha, já perto da margem do rio Vouga", pelo que a preocupação "agora é proteger as povoações de Frossos, Angeja e São João de Loure".

Para a zona foram mobilizados sete meios aéreos e as Forças Armadas enviaram para o distrito de Aveiro três máquinas de rasto do Exército, "para apoiarem na abertura de caminhos que facilitem o acesso dos operacionais que combatem os incêndios".

Segundo fonte militar, os meios foram deslocados no seguimento de um pedido da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, envolvendo um total de 15 militares.

De acordo com a página na Internet da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), às 14:35 o fogo que começou na localidade de Paus, em Albergaria-a-Velha, mobilizava 331 operacionais, apoiados por 100 veículos e sete meios aéreos.

Por volta das 20.00 o presidente da Câmara de Albergaria-a-Velha, António Loureiro, garantiu que o incêndio que lavrava desde quinta-feira em alguns pontos do concelho estava "dominado" e que as populações já estão a regressar às suas habitações."Felizmente, ao fim destes dois dias, damos praticamente como circunscrito o incêndio", disse o autarca.

Em declarações aos jornalistas, no ponto de operações em Albergaria-a-Velha, António Loureiro agradeceu aos cerca de 600 operacionais que estiveram, durante estes dois dias, a combater as chamas e a "defender as pessoas e o nosso património ambiental".

Incêndio na Veiga ativo

Já no incêndio que teve início às 16:28 de quinta-feira na localidade de Veiga, concelho de Águeda, e já "em resolução", estavam 190 meios, apoiados por 62 meios terrestres.

O fogo que deflagrou na quinta-feira ao fim da manhã na localidade de Macinhata do Vouga, também em Águeda, estava a ser combatido por 136 operacionais, com o apoio de 40 veículos.

Segundo os dados disponibilizados às 13:30 pela ANEPC, havia 179 incêndios ativos a ser combatidos por 1092 bombeiros, 348 viaturas e 12 meios aéreos (asa fixa e helicópteros).

Nos 14 fogos em fase de resolução estavam empenhados 418 bombeiros, 123 viaturas e dois meios aéreos. Quanto aos 76 incêndios em fase de conclusão obrigavam à presença de 792 operacionais, 232 viaturas e dois meios aéreos.

Em termos de presença dos bombeiros e dos meios que os acompanham, os fogos em Aveiro estão a mobilizar um total de 832 efetivos e 252 viaturas, seguindo-se Santarém (230 e 70, respetivamente) e Portalegre (220 e 62).

Autoestrada reaberta

O esforço dos bombeiros permitiu, entretanto, reabrir a autoestrada entre Aveiro e Vilar Formoso (A25) - fechada entre Estarreja e Aveiro Sul - e o IC2, que estava cortada entre Águeda e Albergaria-a-Velha.

Nestes dois concelhos foram acionados os planos municipais de emergência face à dimensão dos fogos, permitindo aos presidentes das duas câmaras municipais acionar e mobilizar os recursos - máquinas e equipamentos - considerados úteis para auxiliar no combate às chamas e na proteção de pessoas e bens.