Algarve com três concelhos em risco máximo de incêndio

Alcoutim, Castro Marim e Tavira em alerta, mas há outros 35 concelhos do Sul e interior Norte e Centro em risco muito elevado

Os concelhos algarvios de Alcoutim, Castro Marim e Tavira estão esta segunda-feira em risco máximo de incêndio segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que colocou em risco muito elevado outros 35 municípios.

De acordo com o IPMA estão em risco muito elevado de incêndios 35 concelhos do Sul e interior Centro e Norte, nos distritos de Faro, Beja, Santarém, Castelo Branco, Portalegre, Guarda, Vila Real e Bragança.

O IPMA coloca ainda sob risco elevado dezenas de municípios do Alentejo e do interior Norte e Centro do país.

O risco de incêndio determinado pelo IPMA engloba cinco níveis, que podem variar entre o "reduzido" e o "máximo".

O cálculo é feito com base nos valores observados às 13.00 horas em cada dia relativamente à temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas últimas 24 horas.

Para hoje o IPMA prevê nebulosidade matinal no litoral Norte e Centro, a persistir no Minho, e uma pequena subida da temperatura máxima.

Está igualmente prevista a possibilidade de períodos de chuva fraca ou chuvisco no litoral a norte do cabo da Roca, em especial no Minho.

As temperaturas mínimas vão variar entre os 11 graus Celsius (Guarda e Viseu) e os 18 graus (Lisboa e Faro) e as máximas entre os 23 (Viana do Castelo) e os 32 graus Celsius (Castelo Branco, Évora e Beja).

Nas ilhas, o IPMA prevê para os Açores períodos de céu muito nublado com boas abertas, com possibilidade de aguaceiros durante a madrugada e manhã nas ilhas de São Miguel e Santa Maria, com as temperaturas máximas não deverão ultrapassar aos 24 graus em Angra do Heroísmo e na Horta, os 25 em ponta Delgada e os 26 graus Celsius em Santa Cruz das flores.

Para a Região Autónoma da Madeira o IPMA prevê céu com períodos de muita nebulosidade, apresentando-se geralmente muito nublado nas vertentes norte e na ilha de Porto Santo, com os termómetros a subirem até aos 26 graus em Porto Santo e no Funchal.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.