Incêndio em Monchique. 12 máquinas de rasto no terreno para abrir linhas de combate

ATUALIZAÇÃO. Fogo mantém-se ativo e combate prolonga-se pela madrugada

Um incêndio na Serra de Monchique, que deflagrou sexta-feira à tarde, pelas 14.31, está no início da madrugada deste sábado a ser combatido por 578 operacionais, apoiados por 167 veículos. Durante o dia, entraram dez meios aéreos em operação e já à noite entraram em ação 12 máquinas de rasto para abrir linhas de combate ao fogo, em operações que se adivinhavam irem durar muito tempo.

O fogo fez com que os habitantes, cerca de "meia duzia", do sítio das Taipas, aldeia a sul da Perna da Negra, local onde deflagrou o incêndio, fossem retirados de suas casas, por precaução, disse o presidente da Câmara de Monchique, Rui André.

Ao fim da tarde, o comandante de operações de socorro Abel Gomes fez o balanço da situação, dando conta que nove operacionais - oito bombeiros e um sapador - tiveram de receber assistência médica no local - são "feridos leves" -, devido ao "esforço despendido no combate ao com e às elevadas temperaturas" que se fazem sentir.

O comandante Abel Gomes afirmou, às 19:50, que o fogo tinha ainda duas frentes ativas, uma das quais se dirige agora para a localidade de Foz do Carvalhoso, disse o responsável da proteção civil adiantando que as autoridades estão a postos para a necessidade de retirarem os habitantes desta localidade.

"Vai ser uma tarefa difícil dominar este incêndio, espera-se uma noite muito complicada, de muito trabalho e muito exigente", referiu Abel Gomes.

O incêndio​​ começou de forma "explosiva", conta o responsável, tendo a Proteção Civil respondido ao alerta com um "despacho massivo de meios, muito musculado".

O comandante de operações de socorro afirmou ainda que não havia registo de habitações ardidas, apenas alguns armazéns de apoio agrícola foram afetados.

Incêndio "complexo"

Fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Faro, que não conseguiu precisar o número de pessoas retiradas, a população foi "deslocada de forma preventiva para ficar em segurança".

Trata-se de um incêndio "complexo", numa zona onde "há muito vento" e cujos acessos "são difíceis".

Um bombeiro da zona publicou um vídeo na rede social Facebook, onde se mostrou "preocupado" com o fogo naquela área.

Uma zona rural do concelho de Monchique já tinha sido atingida por um incêndio, na quinta-feira à tarde, dominado cerca de duas horas depois após um combate travado por 113 homens e seis meios aéreos.

Por causa da persistência de valores elevados das temperaturas máximas o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) estendeu o aviso vermelho, o mais grave, em 11 distritos de Portugal continental até ao início da tarde de domingo, prevendo para hoje valores acima dos 40 graus em grande parte do território.

Face à onda de calor que afeta o país pelo menos até domingo, com temperaturas máximas acima dos 40º e que na quinta-feira bateram recordes históricos, a Proteção Civil estendeu o estado de alerta especial relativo aos meios de combate a incêndio aos distritos do Porto, Leiria, Aveiro, Braga, Viana do Castelo e Coimbra.

Este ano, o dispositivo de combate a fogos florestais engloba 56 meios aéreos (incluindo um na Madeira), cerca de 11 mil operacionais e mais de três mil meios terrestres (nomeadamente viaturas).

Notícia atualizada às 00:10 de sábado

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