Houve passageiros do elétrico 25 que ficaram duas horas encarcerados após o despiste

Descarrilamento no bairro da Lapa ocorreu ao fim da tarde de sexta-feira e provocou 28 feridos ligeiros.

Um acidente raro ocorreu ao fim da tarde de sexta-feira em Lisboa, quando um elétrico da Carris se despistou numa rua descendente do bairro da Lapa e ficou completamente destruído.

As causas ainda são desconhecidas, embora se admita uma falha nos travões. A Carris anunciou pouco depois a abertura de um "inquérito minucioso" para averiguar as razões do acidente.

O descarrilamento deu-se pouco depois das 18h00 no cruzamento da Rua de São Domingos à Lapa com a Rua Garcia de Orta, numa curva para a esquerda que o elétrico 25 faz em direção ao Largo de Santos a poucas centenas de metros.

Ao local afluíram mais de meia centena de profissionais dos bombeiros, da PSP e do INEM, bem como dezenas de viaturas dessas corporações - e, pouco depois do acidente, o próprio Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, para se inteirar do sucedido e elogiar a resposta "imediata e muito eficiente" das autoridades.

Não sendo uma linha tão popular como a do 28, embora por ali circulem elétricos dedicados especificamente à atividade turística, aquele 25 deveria estar praticamente cheio devido às quase três dezenas de passageiros feridos - entre as quais crianças e idosos.

As duas crianças feridas, uma de 7 anos e de um bebé de seis meses, são de nacionalidade inglesa.

"Ao todo, temos 28 vítimas ligeiras. A composição traria mais pessoas, só que não foram consideradas vítimas porque saíram pelo próprio pé", afirmou o comandante do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, Tiago Lopes.

Segundo Tiago Lopes, quando os bombeiros chegaram ao local do acidente havia "bastantes vítimas, tanto no exterior como no interior da composição" amarela da Carris - das quais dez estavam encarceradas e algumas assim ficaram durante quase duas horas.

"Tivemos de fazer operações de desencarceramento que demoraram bastante tempo, porque temos de criar condições para que os bombeiros entrem e consigam tirar as pessoas sem agravar os ferimentos que tinham e sem pôr em causa os próprios bombeiros", explicou aquele responsável dos Sapadores de Lisboa.

Contudo, acrescentou aos jornalistas, não havia qualquer "vítima crítica" e "todas foram reencaminhadas para o hospital ou esperam reencaminhamento".

O acidente, até pela espetacularidade e grau de destruição do elétrico revelado pelas imagens que começaram a circular pouco depois nas redes sociais, colocou vários hospitais da cidade em alerta. Segundo o INEM, 26 das vítimas foram transportadas para unidades hospitalares e só duas foram assistidas no local.

Nove daqueles 26 feridos foram transportados para o Hospital de São José, outros nove foram encaminhados para o Hospital de Santa Maria e oito para o Hospital de São Francisco Xavier.

À imprensa, a Carris garantiu que "irá dar o apoio que seja necessário às vítimas do acidente" e aproveitou para deixar uma palavra de reconhecimento pela "rápida intervenção e coordenação dos meios de socorro no local".

O presidente da empresa, que esteve no local, escusou-se a comentar a hipótese - avançada por algumas testemunhas - de ter havido falha de travões: "Isso terá de ser feito em sede do próprio inquérito que iremos fazer com a máxima urgência."

"A Carris lamenta profundamente o que aconteceu", adiantou Tiago Farias, sublinhando que "a preocupação inicial foram as pessoas e todo o seu acompanhamento" posterior.

Quem também esteve no local foi o presidente da autarquia, Fernando Medina, mas sem prestar quaisquer declarações.

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