Greve às avaliações: 93% dos alunos já sabem as notas

Estimativa é do Ministério da Educação. Sindicato diz que greve se mantém em cerca de 200 escolas do país: cem mil alunos ainda não terão recebido as avaliações finais

O Ministério da Educação disse esta sexta-feira que 93% dos alunos estão já avaliados de acordo com o reporte feito pelas escolas até ao fim do dia de ontem (19 de julho). Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as regiões que registam uma maior percentagem de alunos já avaliados. No mesmo dia, o Sindicato de Todos os Professores (S.T.O.P) avança que a greve às avaliações dos alunos mantém-se em cerca de 200 escolas do país, principalmente no norte e no centro interior.

De acordo com nota do ministério, "estão no terreno equipas da Inspeção-Geral da Educação e Ciência com instruções para, nos termos legais e regulamentares, ajudar os Diretores e Órgãos de Gestão das Escolas na resolução dos casos pendentes através da aplicação de instruções anteriormente enviadas às escolas".

Os casos pendentes referem-se a alunos que ainda não sabem se transitam ou não de ano e aqueles que aguardam mudanças de escola ou que se vão inscrever em novos ciclos. Nestes casos, as matrículas estavam já a ser feitas "de forma condicional" devido ao atraso no lançamento das notas dos alunos, em consequência da greve dos professores às avaliações.

Nos casos das as transferências de alunos, e "caso se verifiquem dificuldades", o Ministério da Educação refere que "serão acionadas medidas administrativas para garantir que a situação é corrigida e nenhum aluno é prejudicado".

Cem mil alunos sem notas, diz S.T.O.P.

Entretanto, o S.T.O.P refere que a greve às avaliações dos alunos mantém-se em cerca de 200 escolas do país, impedindo o lançamento das notas de milhares de estudantes.

"Temos uma lista de 200 escolas onde a greve continua total ou parcialmente", disse à Lusa André Pestana, dirigente do S.T.O.P., o único sindicato que mantém a greve de professores, uma vez que as restantes dez estruturas sindicais terminaram o protesto a 13 de julho.

Segundo André Pestana, o norte do país é a zona onde a adesão está a ter mais impacto, mas também no centro interior os professores continuam mobilizados na luta por reivindicações como a contagem integral dos anos de serviço congelados para progressão na carreira.

Em cidades como Seia, Covilhã e Guarda, "há várias escolas onde a greve está fortíssima", garantiu o dirigente do recém-criado sindicato.

Já no sul do país a adesão é menos visível, mas André Pestana assegura que "há focos de resistência". No total, estima, poderão estar ainda "cerca de cem mil alunos sem notas".

A greve às avaliações começou no início de junho com uma convocatória do S.T.O.P., à qual se juntaram posteriormente as restantes dez estruturas sindicais representativas dos docentes, mas que terminaram o período de luta a 13 de julho.

Os diretores escolares admitem que no final do mês ainda haja alunos sem notas, uma situação que preocupa as escolas, uma vez que entretanto os docentes entram de férias.

Os diretores pedem ao Ministério da Educação que esclareça as escolas sobre o que devem fazer, nomeadamente se podem convocar os docentes para atribuir as notas durante as suas férias, exemplificou o presidente Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, em declarações à Lusa.

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