Festa de presos no Facebook Live. Inspetor já esteve na cadeia

Um grupo de reclusos assinalou o 41.º aniversário de um deles com uma festa não autorizada numa zona de alta segurança da prisão de Paços de Ferreira. E transmitiram em tempo real no Facebook

O magistrado do Ministério Público que coordena o Serviço de Auditoria e Inspeção do Norte da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais esteve neste domingo na prisão de Paços de Ferreira onde no sábado, 9 de fevereiro, um grupo de presos fez uma festa de anos que transmitiu durante cerca de 40 minutos na rede social Facebook.

Este foi um dos primeiros passos da investigação que o novo diretor-geral, Rómulo Augusto Mateus - tomou posse a 5 de fevereiro em substituição de Celso Manata, que terminou a comissão de serviço -, mandou fazer após serem conhecidas as imagens da festa do 41.º aniversário de um homem que está a cumprir uma pena de 12 anos por tráfico de droga.

A comemoração não autorizada aconteceu numa secção da Ala A do Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira, considerado de alta segurança e com capacidade para 400 reclusos. Nas imagens publicadas pelo Correio da Manhã, pode ver-se os presos a comer e de telemóveis na mão. Há mesmo um que surge com um tabuleiro com um bolo - que parece ter sido feito de bolachas e com creme a cobri-lo - em que se lê "parabéns".

Contactada pelo DN, fonte oficial da direção-geral adiantou que a averiguação liderada pelo procurador do serviço de auditoria vai apurar "quem participou na festa e como se chegou àquele ponto". Garantiu ainda que estavam cinco guardas naquela zona à hora da festa - terá começado a partir das 14.00 - e não dois como foi noticiado e que a festa aconteceu numa parte da Ala A e não em toda a área.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?