Ex-procurador-geral, ex-diretor nacional da PSP e ex-inspetor da PJ na comissão da Igreja contra abusos

Cardeal-patriarca cria comissão para prevenir e superar eventuais situações de abuso de menores. Ex-representantes de autoridades judiciais e policiais, psiquiatras, psicóloga, responsável da RR e padres integram o grupo, que já reuniu esta tarde

"As comunidades e instituições católicas da diocese de Lisboa, como as da Igreja em geral, devem ser espaços de convivência feliz e segura para todos", lê-se no decreto de nomeação da Comissão de Proteção de Menores, publicado hoje pelo Patriarcado de Lisboa. A frase justifica a criação desta comissão composta por nove pessoas com experiência nas áreas da psicologia, psiquiatria, justiça civil, canónica e comunicação social.

O objetivo é trabalhar em duas frentes, consideradas prioritárias pelo patriarca D. Manuel Clemente: prevenção e superação. "Esta comissão é constituída por profissionais das mais diversas áreas porque o Sr. patriarca quer abranger duas questões que considerou urgentes e prioritárias: a prevenção, e, por isso, o termos pedido ajuda a psiquiatras, psicólogos e autoridades judiciais e policiais, para que nos digam o que podemos fazer, não só nos espaços da Igreja, porque as situações de abuso não acontecem só em contexto eclesiástico, mas na sociedade toda, para impedir que passe pela cabeça de alguém a possibilidade de fazer alguma coisa", explicou ao DN o coordenador da comissão, padre Américo Aguiar.

Quanto à segunda prioridade, a fase da superação, o objetivo é que esta comissão esteja apta "a recomendar as melhores decisões ao patriarca sempre que um caso possa chegar ao patriarcado." O poder responder "no mais pequeno espaço de tempo possível significa que se está a trabalhar numa estrita colaboração com os órgão judiciais e policiais para que a vítima seja a prioridade. O facto de esta comissão integrar um ex-procurador-geral da República, um antigo diretor nacional da PSP e um antigo inspetor da PJ é precisamente para que nos ajudem a fazer o mais correto."

A comissão, que terá de seguir a legislação civil e canónica, bem como as orientações da Santa Sé e da Conferência Episcopal Portuguesa, é integrada por D. Américo Aguiar, Álvaro Bizarro, do patriarcado, por Oliveira Pereira, ex-diretor nacional da PSP, Souto de Moura, ex-procurador-geral, José Braz, ex-inspetor da PJ, Pedro Strecht, peudo-psiquiatra, Rute Agulhas, psicóloga, Isabel Figueiredo, responsável pelos conteúdos da RR, e Vítor Viegas Cotovio, psiquiatra.

Segundo D. Américo Aguiar (que gravou um vídeo a apresentar a iniciativa - em baixo) a comissão terá de estar sempre em "alerta máximo." Este é um dos pontos assentes para todos os intervenientes que concordaram também "em não sofrer do síndrome de reunião. Poderemos trabalhar em rede e começar desde já."

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