PSP desmente sindicato e nega esquadras fechadas devido a greve

Sindicato dos profissionais de polícia fala em "falta de efetivos" e "sobrecarga preocupante". Direção Nacional da PSP diz que é "totalmente falso" que estejam fechadas devido à greve.

"Há esquadras encerradas. Já houve antes da greve, devido a outras iniciativas, e agora continua, pelo menos em Ermesinde, no Porto, e em Alhandra. A continuarmos [com a greve dos motoristas] vai haver mais, porque o efetivo não estica. Há uma sobrecarga preocupante. Consegue-se ir aguentando, mas não dá para aguentar sempre. O ritmo imposto [devido à paralisação dos motoristas e aos serviços exigidos à PSP] não dá para muitos dias", explicou à Lusa Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP).

A PSP admite existirem casos pontuais de encerramento temporário de esquadras, mas que tal não se deve ao facto de os agentes estarem a ser destacados por causa da greve.

"Não tenho nenhuma informação de que seja verdade", disse o ministro do Ambiente João Pedro Matos Fernandes numa conferência de imprensa, realizada hoje na sede da Entidade Nacional para o Setor Energético, em Lisboa.

"Relativamente a notícias vindas a público que dão conta que existem esquadras que estão a ser fechadas devido ao empenho de polícias na condução e escolta de camiões-cisterna no contexto da greve dos motoristas de matérias perigosas, a Polícia de Segurança Pública esclarece que é totalmente falso que tenham sido, ou estejam a ser, encerradas subunidades policiais pelos motivos descritos", lê-se no comunicado enviado às redações.

Paulo Rodrigues pediu ao Governo para "encontrar uma solução" para o problema, que vai piorar com o prolongamento da greve que está hoje no quarto dia, devido à "falta de efetivos" na PSP e à necessidade de "retirar elementos de outros locais e serviços" para acorrer a serviços relacionados com a paralisação.

No entanto, a PSP diz que "existem casos pontuais de encerramento temporário de esquadras, em períodos devidamente definidos, numa ótica de gestão operacional e otimização de meios, sempre tendo em consideração a segurança pública das populações, que não estão, de todo, relacionados com a missão da PSP na situação de crise energética em curso".

Os motoristas de transportes de matérias perigosas e de mercadorias cumprem hoje o quarto dia de uma greve por tempo indeterminado, que levou o Governo a decretar uma requisição civil na segunda-feira à tarde, alegando incumprimento dos serviços mínimos.

"Quanto mais tempo a greve decorrer, maior é o problema", alertou Paulo Rodrigues.

A PSP "não esteve sequer a realizar transporte na manhã de hoje", disse o ministro, admitindo que, "obviamente, a PSP está a acompanhar aquilo que é a necessidade de segurança, particularmente perto das refinarias".

O ministro lembrou ainda que "os efetivos que existem no país têm de ser distribuídos de acordo com as necessidades e esta é uma necessidade evidente".

O presidente da ASPP/PSP sublinhou que, se o efetivo da PSP "fosse suficiente, não era necessário tirar elementos" para o reforço relacionado com a greve, nomeadamente com a mobilização de elementos "para locais onde eventualmente possa haver mais tensão", para "prevenção no caso de ser necessário conduzir camiões" ou para ordenar ou cortar o "trânsito" para "acompanhar camiões".

Paulo Rodrigues assegurou que o encerramento de esquadras e a sobrecarga de agentes não é exclusiva da greve, acontecendo devido a outras iniciativas, mas que são limitadas no tempo.

"Isto acontece noutros eventos, mas é um dia ou dois dias. No caso desta greve, já vai em quatro dias e não sabemos quando vai terminar", avisou.

"O grande problema não é a greve dos motoristas, nem é isso que leva as esquadras a encerrar. O problema é a falta de efetivos, que cria dificuldades na gestão de recursos humanos", acrescentou.

De acordo com Paulo Rodrigues, "o Governo tem empurrado o problema para a frente", mas atualmente "o problema já é o caos". "O efetivo está muito reduzido, já não é sequer o razoável. Já não há efetivo nem para andar na rua nem para estar nas esquadras", denunciou.

O presidente da ASPP/PSP esclarece que já há agentes "a fazer serviço de dois ou três elementos, trabalhando 24 horas ou sem folgas".

Paulo Rodrigues defende que o Governo "tem duas formas" para dar resposta à questão: "Ou altera o modelo e organização da PSP, revendo as suas competências, ou mantém o modelo, mas nesse caso tem de recrutar pessoal em número suficiente".

Segundo o responsável, a PSP tem "20 mil polícias, mas com capacidade operacional não existirão mais de 14 mil".

A greve em curso, que começou na segunda-feira, foi convocada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), com o objetivo de reivindicar junto da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

A Antram assinou na quarta-feira à noite um acordo relativo ao contrato coletivo de trabalho com a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), afeta à CGTP e que não participa na greve de motoristas.

(Notícia atualizada às 15:48 com comunicado da Direção Nacional da PSP)

Exclusivos