Demissões na MAC: "Exaustão" e horas extra acima da lei "há vários meses"

Os médicos criticam o encerramento de salas de parto, que já levou à transferência de grávidas em trabalho de parto

Os chefes de equipa de ginecologia e obstetrícia da Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, que apresentaram uma carta de demissão à administração denunciam a falta de profissionais para assegurar "condições de segurança" na urgência. Os médicos criticam o encerramento de salas de parto, que já levou à transferência de grávidas em trabalho de parto, e afirmam que tanto os "especialistas como os Internos já excederam há vários meses o número de horas extraordinárias máximo previsto na lei".

Na carta, a que o DN teve acesso, os chefes de equipa fazem contas ao número de médicos disponíveis para, "com boa vontade do corpo clínico", assegurar as escalas de urgências: em 27 especialistas, um está de baixa e 20 têm mais de 50 anos. Sendo que entre estes, sete têm mais de 55, a idade a partir da qual podem deixar de fazer bancos de urgências. Existem ainda 15 internos, alguns dos quais fazem formação fora da MAC. Outros três novos especialistas, que terminaram o internato na MAC, ainda não foram contratados.

"As equipas de enfermagem também estão reduzidas e nas mesmas condições físicas de exaustão", alertam os responsáveis clínicos, para depois deixarem críticas a decisões recentes do hospital. "Em vez da contratação de mais pessoa, os dirigentes optaram pelo encerramento de salas de parto, o que implica a necessidade de transferência das grávidas. A denúncia partiu do presidente da secção regional do Sul da Ordem dos Médicos, Alexandre Valentim Lourenço, que no fim de semana avisou que o encerramento de salas de parto na Alfredo da Costa está já a levar à transferência de grávidas a meio de trabalho de parto para outras maternidades.

Agora, os chefes que equipa dizem que a exaustão dos profissionais "se agravará com o período de férias que se aproxima, comprometendo a qualidade dos serviços prestados", serem obterem "por parte da tutela solução para o problema".

Fonte oficial do Centro Hospitalar de Lisboa Central, que integra a Maternidade Alfredo da Costa, indicou à Lusa que a carta foi entregue, mas que os profissionais se mantêm em funções e que a situação se encontra "controlada e ultrapassada". Informação que a Ordem dos Médicos desconhece, esperando para ver se a MAC vai voltar à normalidade de lotação ou contratar mais profissionais,

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