Cinco detenções em dois dias. Um batia na mulher mesmo quando estava grávida

Tribunal de Leiria coloca em prisão preventiva homem que durante três anos bateu e ameaçou mulher, mesmo quando esta estava grávida. Em dois dias PSP e GNR apreenderam várias armas de fogo e facas usadas para ameaçar em contexto de violência doméstica.

Em dois dias foram detidos cinco homens sob a acusação de violência doméstica. Os casos aconteceram em várias localidades, dois desses agressores ficaram em prisão preventiva e um ficou detido em casa com pulseira eletrónica. De acordo com as informações divulgadas pela PSP e GNR alguns dos suspeitos usaram pistolas e facas para ameaçar as mulheres. E um deles o tribunal obrigou-o a deixar a casa. Este ano 12 mulheres já foram mortas pelos maridos/companheiros.

Num dos casos divulgados esta quinta-feira em que o agressor vai aguardar julgamento em prisão preventiva, o Ministério Público acusou-o de violência doméstica e de violação. Segundo a Procuradoria da República na Comarca de Leiria o homem agrediu a mulher desde 2016, incluindo no período em que estava grávida. A ameaça mais recente teve lugar no dia 25 de março quando se "dirigiu à sua esposa e proferiu expressões injuriosas e ameaçadoras, humilhando-a e incutindo-lhe receio pela sua segurança e de forma a afetar a sua tranquilidade".

Segundo a investigação as agressões aconteceram na casa do casal (na Marinha Grande) com o agora detido a esmurrar no corpo e rosto da mulher. Segundo a investigação o homem batia na vítima mesmo sabendo que esta estava grávida.

Perante este cenário, o magistrado do Juízo Central de Instrução Criminal de Leiria a que foi presente decidiu que por existir o perigo de continuação das agressões e de perturbação da ordem pública o homem iria ficar detido e proibido de contactar com a mulher e o filho do casal.

Ameaça com faca

Em Torres Vedras, agentes da PSP de Loures que responderam a uma chamada por uma alegada situação de violência doméstica encontraram uma mulher escondida numa loja enquanto um jovem de 23 anos foi detido em flagrante delito.

De acordo com a polícia, num curto espaço de tempo foram recebidos dois alertas, primeiro a informar que se encontrava um homem a agredir uma mulher e um segundo a dizer que o agressor se encontrava com uma faca a ameaçar a vítima.

À chegada os polícias encontraram o agressor junto de uma loja - onde a vítima se tinha refugiado -, junto a um caixote do lixo, com uma outra testemunha.

À PSP várias pessoas confirmaram as agressões e ameaças feitas pelo agressor com recurso a uma faca, que terá sido encontrada dentro do caixote do lixo, por ter sido atirada por uma testemunha, amiga da vítima, que a tirou ao suspeito e tentou esconder no lixo.

Perante os factos e evidências coligidas pelos Polícias da PSP, sustentadas nos relatos das pessoas que presenciaram os factos, pelo estado emocional e estado de pânico em que a vítima se encontrava, e a recuperação e apreensão do citado objeto utilizado para ameaçar a vítima, foi possível detê-lo.

O detido foi presente ao Tribunal Judicial de Torres Vedras, tendo-lhe sido aplicada a medida de coação de Permanência na habitação com pulseira eletrónica.

Detido na Costa da Caparica

A aguardar a decisão do juiz durante a tarde desta quinta-feira um homem detido na quarta-feira (10 de abril) na Costa da Caparica (Almada) na sequência de uma investigação por suspeita de violência doméstica em Vila Nova de Foz Côa, onde viva com a companheira.

O homem (de 33 anos) estava a ser investigado pelos militares do Núcleo de Investigação e de Apoio a Vítimas Específicas da GNR por suspeitas de que batia na mulher (36). Foram elementos deste grupo do comando da Guarda que o detiveram cumprindo um mandado de detenção e o levaram para o Estabelecimento Prisional da Guarda.

Bateu na mulher, no filho e no sogro. E tribunal expulsou-o de casa

Na Trofa, a GNR deteve um homem que estava a agredir a mulher (de 39 anos), o filho menor (12) e o sogro (70). Na sequência destas agressões o filho e o sogro tiveram de receber assistência no hospital.

Os militares foram à casa do casal depois de terem recebido uma denúncia sobre o que estava a acontecer na residência. Já esta quinta-feira ficou a saber, depois de ter sido presente ao Tribunal Judicial de Santo Tirso que tinha de abandonar a casa onde morava com a mulher - a GNR acompanhou-o quando foi recolher os seus pertences - e a proibição de contacto com a família, não se podendo aproximar dela a menos de 100 metros.

Em Mafra, a detenção de um homem (48 anos) acusado de violência doméstica - segundo a Guarda batia e exercia violência psicológica sobre a companheira (40 anos) - acabou com a apreensão de cinco armas de fogo. Presente ao juiz do Tribunal de Sintra ficou em prisão preventiva.

Também em Braga, uma detenção por violência doméstica terminou com a apreensão de armas. No caso, de uma faca de cozinha que seria utilizada nas ameaças à mulher, de uma caçadeira e de uma arma de ar comprimido.

Neste caso, o homem agredia e ameaçava de morte a companheira e no momento da intervenção dos militares, esta tinha-se trancado numa dependência da casa com o filho de 16 anos numa tentativa de fugir ao agressor.

Queixas a subir

As situações de violência doméstica denunciadas às autoridades estão a subir, nomeadamente na área de intervenção da Procuradoria-geral Distrital de Lisboa. De acordo com os dados estatísticos divulgados esta quarta-feira pela PGDL nas cinco comarcas que fazem parte do distrito judicial de Lisboa - Lisboa, Lisboa Oeste, Lisboa Norte, Madeira e Açores - foram abertos 3487 processos, quando no primeiro trimestre do ano passado tinham sido 2700 os processos iniciados por violência doméstica.

Segundo a PGDL foram feitas 443 acusações e arquivados 1958 processos.

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