ASAE investiga financiamento da greve dos enfermeiros

Autoridade de Segurança quer saber a origem do dinheiro obtido através das plataformas de crowdfunding

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) vai investigar o fundo solidário que já deu aos enfermeiros os mais de 784 mil euros que têm permitido pagar aos profissionais que estão em "greve cirúrgica".

Pedro Portugal Gaspar, inspetor-geral da ASAE, explicou ao Expresso que os investigadores vão começar por analisar o regime jurídico das plataformas de crowdfunding para verificar as informações prestadas, montantes das doações e eventuais regimes de incompatibilidade.

Ao semanário, Pedro Domingos, um dos fundadores da plataforma PPL, onde está ativa a campanha de recolha de fundos para os enfermeiros, garante que não há nada de suspeito nesta campanha: "Temos todos os registos de pagamentos no sistema bancário, como nome completo,e-mail ou telefone porque as campanhas têm um mecanismo de 'tudo ou nada'. Se o prazo não for cumprido e o objetivo não for alcançado, temos de devolver os donativos."

De acordo com a informação disponível na plataforma de financiamento colaborativo usada pelos enfermeiros para o crowdfunding da sua segunda greve, foram angariados mais de 423 mil euros. Na primeira greve, entre 22 de novembro e o final de dezembro, angariaram mais de 360 mil euros. Pedro Domingos esclarece que na primeira campanha participaram 14 mil doadores e agora dez mil, e que doaram "valores pequenos, em média 15 a 20 euros".

Entretanto, o Ministério da Saúde requereu à Procuradoria-Geral da República um parecer sobre a legalidade do protesto e do seu financiamento logo na primeira greve, no final do ano passado, e voltou a fazê-lo agora. O Ministério espera ter esse parecer durante a próxima semana.

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