Agressões na GNR: "O instrutor claramente perdeu a cabeça"

O ex-comandante da Escola da GNR, General Carlos Chaves, critica a falta de acompanhamento dos treinos por parte de oficiais

Carlos Chaves, General do Exército, dirigiu a Escola da GNR - que inclui os centros de formação de Queluz, Portalegre, Aveiro e Figueira da Foz - durante três anos e foi o responsável pelo Comando de Doutrina e Formação. As imagens que viu do treino dos alunos de Portalegre, principalmente as últimas em que o formador esmurra e pontapeia o formando, não lhe deixam margem para dúvidas: "o instrutor claramente perdeu a cabeça!".

O general critica a falta de acompanhamento por parte da hierarquia desta instrução "de maior risco" de bastão extensível. "Quando comandei a Escola havia instruções claras para estes treinos serem sempre supervisionados pelo comandante de comandante, pelo comandante de batalhão e, sempre que possível, pelo comandante da unidade. O que aconteceu só foi possível por falta de supervisão", afirma. "Os senhores oficiais têm de sair mais dos gabinetes e acompanhar a instrução no terreno", salienta ainda.

Carlos Chaves sublinha que este treino "é muito importante na formação dos futuros guardas, pois o bastão extensível pode ser uma arma muito perigosa quando utilizada por quem não sabe". Não entende porque, tendo em conta as imagens, o "instrutor dá pontapés, quando o treino era apenas com o bastão".

No seu entender o inquérito devia ter sido logo instaurado há um mês, quando a situação aconteceu, e o responsável afastado. "É inadmissível que só tenha havido reação depois de divulgadas as imagens. O que aconteceu é muito grave", assinala.

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, anunciou esta terça-feira que "foi aceite o pedido de exoneração" do diretor do centro de formação de Portalegre da GNR, na sequência das denúncias de uso de violência durante um exercício, o que já motivou a abertura de um inquérito por parte do Ministério Público (MP).

Recorde-se que cerca de uma dezena de formandos do 40.º curso do Centro de Formação da GNR, em Portalegre, terão sofrido graves lesões e traumatismos durante o chamado curso de bastão extensível, que obrigaram em alguns casos a internamento hospital e intervenções cirúrgicas.

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