A tempestade Leslie entrou pela Figueira da Foz e fustigou o Centro

Entrada em terra ocorreu na zona da Figueira da Foz, mais a norte do que o previsto, onde foi registada rajada de 176 km/hora. Houve muitos danos sobretudo nos distritos de Leiria e Coimbra. Distrito de Lisboa também não escapou incólume

Centenas de quedas de árvores, milhares de habitações sem energia elétrica, dezenas de voos cancelados em Lisboa e Porto, estradas cortadas e danos em diversas estruturas. É este o cenário do primeiro balanço da entrada da tempestade Leslie em Portugal, que afinal não teve em Lisboa a zona de maior risco mas sim as áreas do Centro nos distritos de Leiria, Coimbra e Aveiro. Mas Lisboa e Setúbal também sofreram danos.

Num balanço realizado às 00:20, a Proteção Civil dava conta de que havia 820 ocorrências registadas, sobretudo quedas de árvores.

Em declarações à Lusa, o comandante Rui Laranjeira, da Autoridade Nacional de Proteção Civil, afirmou que nas operações estão envolvidos mais de 2.800 operacionais, e das 820 ocorrências, 506 dizem respeito a queda de árvores e 258 a queda de estruturas.

Aliás, todos os meios disponíveis no país estiveram mobilizados para a passagem do Leslie por Portugal.

A EDP adiantou ao início da madrugada que havia já mais de 15.000 habitações sem fornecimento de energia elétrica, devido à passagem da tempestade tropical. "Tem havido um agravamento significativo das condições, o que deixa cada vez mais pessoas sem energia, estamos a atualizar os dados a cada dez minutos", informou a diretora de comunicação da EDP Distribuição, Fernanda Bonifácio. O maior número de habitações afetadas localiza-se nos concelhos de Pombal, Marinha Grande e Leiria, no distrito de Leiria, representando "uma área muito significativa" da extensão dos danos.

Queda de árvores foi o incidente mais frequentemente registado, com Leiria, Lisboa e Setúbal a registarem o maior número. Foi precisamente a queda de eucaliptos na via que obrigou a cortar a A1 esteve cortada, na zona do Pombal, cerca das 22:30. Aqui, a circulação - como o DN pôde constatar - só foi retomada pelas 00:30. E mesmo assim feita com precauções, dados os muitos detritos no pavimento.

Esta via também foi cortada ao trânsito, ao quilómetro 163, no nó de Soure, sentido norte/sul, devido à queda de uma árvore na via, informaram a Brisa e a GNR.

Na A17, que liga Leiria a Aveiro, houve várias árvores caídas ao longo desta via, o que "condicionou a circulação", segundo a GNR.

Entrada na Figueira da Foz

A passagem do Leslie pela zona da Figueira da Foz provocou grandes estragos na cidade, nomeadamente a queda de árvores e estruturas, além da invasão das avenidas junto ao mar por areia, disseram à Lusa populares no local. Foi precisamente nesta zona que a tempestade chegou a terra e onde se registou, até às 00.10, a rajada de vento mais forte, de 176 km/hora, de acordo com Diamantino Henriques, delegado regional do IPMA, em declarações à SIC Notícias.

Quando chegou, o furacão completou a transição extra-tropical e ganhou as características de depressão frontal que normalmente atinge o território português. De acordo com o site de meteorologia BestWeather, o "landfall (toque em terra) foi registado na zona da Figueira da Foz, pelas 22:10", mais a norte que estava previsto, a área a norte de Lisboa junto a Peniche.

Recorrendo a imagens de satélite, esta empresa gerida pelo meteorologista Daniel Zeferino escreve na sua página de Facebook que durante a madrugada ainda deviam acontecer "rajadas muito severas, com máximos entre os 15 km/hora e 200km/hora, entre as regiões de Leiria e Porto". No setor nordeste do ciclone, havia o risco de trovoadas e de precipitação excessiva.

"As regiões a sul do eixo montanhoso Sintra-Montejunto-Estrela deverão estar fora das condições de maior severidade, esperando-se apenas algum vento e chuva associados ao progresso e organização do sistema frontal frio", previa a BestWeather.

A Proteção Civil fará às 9:00 deste domingo um balanço da passagem do Leslie por Portugal.

Com Céu Neves

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