Fogo dominado em Oleiros. Primeiro balanço aponta para seis mil hectares ardidos

Incêndio que começou no sábado à tarde ficou dominado às 08.00 desta segunda-feira. Proteção Civil estima uma área ardida de cerca de seis mil hectares.

O incêndio que começou no sábado no concelho de Oleiros, em Castelo Branco, ficou dominado às 08:00 desta segunda-feira, segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC). O comandante Operacional de Agrupamento Distrital do Centro Sul (CADIS), Luís Belo Costa, afirmou que a área afetada é "extensa" e estima que perto de seis mil hectares arderam neste incêndio, uma informação que disse carecer de confirmação.

"Há muito trabalho pela frente", uma vez que o "perímetro é grande e a área é complexa", nomeadamente a orografia do terreno, disse, em conferência de imprensa, esta segunda-feira, o responsável da Proteção Civil.

"Vai com toda a certeza dar-nos bastante trabalho do ponto de vista da consolidação", afirmou Belo Costa.

As zonas que carecem de maior atenção "são as frentes viradas para Poença-a Nova e Castelo Branco". "É natural que haja rativações nas próximas horas", admitiu.

Apesar de dominado, a mobilização de meios mantém-se. Às 09:20, estavam no terreno 868 operacionais, apoiados por 274 viaturas e dois meios aéreos, sendo que um deles é um avião de monitorização e coordenação para detetar eventuais pontos quentes e monitorizar todo o perímetro do incêndio, e o outro presta apoio ao combate.

Luís Belo Costa afirmou ainda que a partir do final da manhã a situação pode complicar-se devido ao aumento das temperaturas.

O fogo começou na tarde de sábado em Oleiros e estendeu-se aos concelhos de Proença-a-Nova e Sertã. Há a registar uma vítima mortal (um bombeiro de 21 anos) e sete feridos, cinco deles ligeiros e dois graves.

No domingo, ao início da noite, três aldeias do concelho de Oleiros estiveram em "risco efetivo" por causa deste fogo que se estendeu aos concelhos de Proença-a-Nova e Sertã.

Durante a madrugada, três pessoas foram retiradas das suas casas por precaução.

Ministro antevê mobilização até terça ou quarta-feira

O calor, as altas temperaturas e o vento têm sido aliados das chamas. As previsões meteorológicas para os próximos dias, que apontam para um significativo agravamento do risco de incêndio rural, os ministros da Administração Interna e do Ambiente e Ação Climática determinaram este domingo a Declaração da Situação de Alerta em todo o território do Continente. De acordo com o documento, "a situação de alerta abrange o período compreendido entre as 00:00 horas do dia 27 de julho e as 23:59 horas do dia 28 de julho".

"Esta declaração decorre da necessidade de adotar medidas preventivas e especiais de reação face ao risco de incêndio máximo e muito elevado previsto pelo IPMA [Instituto Português do Mar e da Atmosfera] na maioria dos concelhos do continente nos próximos dias".

No âmbito da declaração da situação de alerta, prevista na Lei de Bases de Proteção Civil, serão implementadas várias medidas, entre elas a "proibição do acesso, circulação e permanência no interior dos espaços florestais previamente definidos nos Planos Municipais de Defesa da Floresta Contra Incêndios, bem como nos caminhos florestais, caminhos rurais e outras vias que os atravessem".

Fica ainda proibida a realização de queimadas e queimas de sobrantes de exploração bem como a utilização de fogo-de-artifício ou outros artefactos pirotécnicos, bem como "a suspensão das autorizações que tenham sido emitidas nos distritos onde tenha sido declarado o Estado de Alerta Especial de Nível Laranja ou superior pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil".

A declaração de situação de alerta proíbe ainda "trabalhos nos espaços florestais e outros espaços rurais com recurso a qualquer tipo de maquinaria, com exceção dos associados à alimentação de animais e a situações de combate a incêndios rurais", tal como já tinha anunciado o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.

Em relação ao incêndio de Oleiros, que é de "grande complexidade", o ministro lembrou que "a prioridade é a salvaguarda da vida humana, com a realização das evacuações que se vieram a demonstrar necessárias". No entanto, é preciso ser realista e admitir que "possa envolver mobilização do dispositivo até terça ou quarta-feira, fazendo uma monitorização permanente do nível de resposta".

Atualizado às 09:33

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG