Ator Bruno Candé morre após ser baleado em Moscavide

Autor dos disparos foi detido e vai ser presente a tribunal. Vítima é ator que trabalhou com a Casa Conveniente. SOS Racismo fala em crime de motivações raciais.

Um homem morreu, este sábado, após ter sido "baleado em várias zonas do corpo", por outro homem, com cerca de 80 anos, na avenida de Moscavide, no concelho de Loures, distrito de Lisboa. O alegado homicida foi impedido de deixar o local pelas pessoas que estavam na rua que o imobilizaram, como mostram as imagens divulgadas na rede social Facebook.

O alerta para a situação de disparos na avenida de Moscavide ocorreu pelas 13.20, e quando a Polícia de Segurança Pública (PSP) chegou ao local havia encontrou "um homem que tinha sido baleado em várias zonas do corpo por outro homem".

A vítima é o ator Bruno Candé Marques, avançam JN e Público. Trabalhava regularmente com a companhia Casa Conveniente que usa uma imagem do artista na sua imagem de perfil e tem recebido mensagens de condolências.

Fonte do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP disse à Lusa que o óbito do homem baleado foi declarado no local e o homem responsável pelos disparos "está, neste momento, detido e foi-lhe apreendida uma arma de fogo".

"Em termos de motivação, ainda não percebemos muito bem o porquê. Poderá ter a ver com questões meramente passionais, dado que não existe qualquer ligação entre os próprios", avançou a PSP esta tarde de sábado à Lusa

Crime com motivações raciais

A organização SOS Racismo considera, no entanto, que o crime tem motivações raciais. ""Bruno Candé Marques, cidadão português negro, foi assassinado com 4 tiros à queima-roupa. O seu assassino já o havia ameaçado de morte três dias antes e reiteradamente proferiu insultos racistas contra a vítima", dizem em comunicado. "O caráter premeditado do assassinato não deixa margem para dúvidas de que se trata de um crime com motivações de ódio racial", acrescenta a nota, divulgada no Facebook.

Bruno Candé Marques, pai de três filhos (dois rapazes e uma menina), completaria 40 anos a 18 de setembro.

Também numa publicação no Facebook, a atriz e produtora Inês Vaz, que trabalhou com Bruno Candé na Casa Conveniente, conta que falou com o ator este sábado de manhã, horas antes do crime. Falaram sobre o último espetáculo da companhia da artista Mónica Calle, Escuro que te Ilumina. O ator, que sofreu grave acidente há três anos e se encontrava a recuperar, planeava telefonar para uma produtora de televisão para saber se havia castings.

Candé vivia na Zona J e começou a trabalhar com Mónica Calle quando em 2015, a companhia Conveniente deixou o Cais do Sodré e se instalou em Chelas. A primeira peça em que participou foi "A Missão": Contou, numa reportagem ao Observador, que aos oito anos, na Casa Pia, já sonhava ser ator.

Numa outra publicação, Inês Vaz explica que "o Candé estava hoje sentado num banco, a passear a Pepa, a sua cadela, e um homem - com quem aparentemente tinha tido uma discussão por causa da Pepa, na passada quarta feira, - saiu de um restaurante, depois de almoçar, e disparou 3 ou 4 vezes sobre ele".

A ocorrência em Moscavide mobilizou "dezenas de polícias", inclusive devido à necessidade de interromper o trânsito na avenida de Moscavide. Por se tratar de um crime de homicídio, foi acionada a Polícia Judiciária.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG